sábado, 30 de dezembro de 2017

Feliz Meán Gheimhridh




Feliz Meán Gheimridh para todos! Estou passando para desejar um bom festival para todos os politeístas gaélicos! O Meán Gheimhridh ou Grian-stad a’ Gheamhraid (como é conhecido na Escócia), representa o ponto mais alto do inverno no hemisfério norte – a noite mais longa do ano, que a partir de então, o sol começará a se fortalecer e os dias ficarão cada vez mais longos, e as noites, mais curtas. Embora não haja evidências de que os gaélicos – e os celtas em geral – celebravam essa data (os solstícios e equinócios, em geral), há fortes indicações de que eles, sem dúvidas, viam a importância desse dia (como a famosa construção do Newgrange, ou o Brugh na Boinne, atesta, estando perfeitamente alinhando astronomicamente para permitir que a luz do sol da manhã do solstício de inverno penetre inteiramente no seu interior).

Existem, no entanto, alguns costumes tradicionais observados nessa data (embora especula-se que sejam de origem estrangeira, apesar de ter uma forte “essência” gaélica), como por exemplo, o ato de fantasiar-se para fazer trapaças e se divertir, a ignição de uma fogueira comunitária, procissões de artistas, a ignição de velas nas janelas e da Tora de Cailleach, dentre muitos outros. Hoje, honramos Cailleach – a deusa do inverno – que está bastante ativa nessa época do ano, e atualmente, também Grian, uma deusa solar cujo nome é traduzido como “sol”, apesar dela representar o sol pálido e fraco do inverno, ao contrário de sua irmã Áine, que representa todo o poder e esplendor do sol do verão. Além disso, os mortos também são honrados nessa época. Separei alguns artigos para que possam auxiliá-los na reconstrução de uma celebração para esta data, e espero que possam ser úteis:

(Re?)Construindo um solstício de inverno gaélico, por Leonni Moura
Yule/Hogmanay, de Annie Loughlin (traduzido)
Celebrating Yule – Grian-stad a’ Gheamhraid, de Annie Loughlin (em inglês)
Cailleach, da Jones’ Celtic Encyclopedia (em inglês)
Série de textos sobre Cailleach, do Tairis Tales (em inglês)
O lamento da Velha Mulher de Beare, um texto mitológico irlandês (traduzido)
The Winter Solstice, de Morgan Daimer (em inglês)
Mumming – a Yuletide Traditional, do Irish Culture and Customs
Scottish Traditions: Yule, do Scottish Language Dictionaries (em inglês)
Vídeo: Grianstad an Gheimhridh – The Winter Solstice, produzido pela Gaol Naofa (em inglês, com legendas)
Vídeo: Áine agus Grian – the Two Suns of the Turning Year, produzido pela Gaol Naofa (em inglês, com legendas)
A’ Ghrian, oração tradicional para o sol (ou Grian?) (traduzido)

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

(Re?)Construindo um solstício de inverno gaélico

Por Leonni Moura / Angus McOisín



Introdução

                Eu sempre fui fascinado pelas celebrações de meio de inverno dos povos politeístas da Europa. Por esse motivo, me animei em escrever esse texto, com o objetivo de “resgatar” os costumes e crenças em relação à essa época do ano entre os gaélicos, ainda que grande parte dessas evidências venham de épocas muito posteriores à conversão para o cristianismo e deter muito de um pensamento cristão; no entanto, ainda que esses costumes e tradições associados com essa época do ano não possam ser datados diretamente à Idade do Bronze/Ferro, alguns, acredita-se que tenham uma origem supostamente “pagã”.

                Como já foi amplamente discutido por mim aqui no blog, existe uma descrença em relação à celebração de solstícios e equinócios pelos gaélicos (e por outros povos célticos, em geral), pela falta de evidências fortes desses festivais – eles não aparecem nos mitos e o folclore e as tradições associadas com eles possuem uma influência estrangeira muito perceptível, especialmente no caso do solstício de inverno, que recebeu muita influência nórdica, mais especificamente em algumas áreas ao norte da Escócia. No entanto, a maior parte dos povos pagãos da Europa viam o solstício de inverno como uma data (e uma época...) bastante sagrada e digna de celebração – ela simbolizava o meio da estação invernal e representava a noite mais escura e mais longa do ano, a partir da qual, o sol ganhava cada vez mais força, ou “nascia” novamente (de acordo com algumas culturas), trazendo de volta a luz e o calor para o mundo; dentre essas celebrações, poderíamos citar, por exemplo, o Yule dos nórdicos, o Ziemassvetki dos letões, a Kaledos dos lituanos, a Koliada dos eslavos e a Saturnália dos romanos, todos acontecendo exatamente na data do solstício de inverno ou aproximadamente, podendo se estender até mesmo para janeiro, como no caso do Yule.

domingo, 19 de novembro de 2017

Como Finn obteve o conhecimento e a morte de Cul Dub

Tucait fagbála in fesa do Finn ocus marbad Cuil Duib
Como Finn obteve o conhecimento e a morte de Cul Dub

Bruiden Átha

            Uma vez, Find O’Baiscne estava em Cind Chuirrig[1]. Ele esteve sem uma esposa por um longo tempo. Ele então foi em direção ao Suir[2] e para o Dún Iascaig[3]. Em Caher no Suir, ele viu a filha de um pastor lavando sua cabeça e seu nome era Badamair. Ele a levou consigo e ela viveu com ele.

            Foi Currech Lifi de Leinster, aquele que nomeou Rath Cuirrig, que matou seu irmão adotivo Dub O’Duibne, a quem Diarmait, filho de Duibne, descende. Finn então foi lidar com Currech de uma vez, mas Currech foi para o oeste, cortou a cabeça de Badamair, a esposa de Finn, e a levou consigo para o leste. No entanto, Finn o seguiu, cortou sua cabeça e a levou consigo para o oeste. Por isso Cenn Currig[4] (“Cabeça de Currach”) é assim chamada e por isso foi cantado:

domingo, 12 de novembro de 2017

Os Dindshenchas em prosa: Crotta Cliach

47. Crotta Cliach

            Cliach do Síd Báine (“Síd de Baine”) era um harpista de Smirdub, filho de Smal, o rei dos Três Rosses. Ele convidou Conchenn, filha de Fodb[1], do síd[2] dos Homens de Femen[3]. Ou pode ser que o nome dela seja Báine.

            Cliach ficou um ano inteiro fazendo música naquela colina, mas por conta do poder mágico das fadas, ele não se aproximou do síd e não podia fazer nada para as meninas, mas ele tocou sua harpa até a terra debaixo dele explodir e de lá saiu um dragão (e Cliach morreu de medo – tathaim ar time).

domingo, 5 de novembro de 2017

Uma invocação ao Dagda

Ian Corrigan, o líder da organização A Druid Fellowship (ADF), escreve sobre muitas práticas e ritos belamente inspirados para os deuses gaélicos. O rito abaixo, combinado com uma visão de transe, foi retirado de seu blog particular “Into the Mound” e nos dá belos insights do deus Dagda. Esse modelo pode ser seguido na íntegra ou você pode adaptá-lo para se adequar às suas necessidades, como no caso das nove oferendas, onde você pode subsitui-las por nove oferendas que sejam mais acessíveis para você.

Fonte: “An Invocation of the Dagda”, por Ian Corrigan em seu blog “Into the Mound”. Disponível em: <http://intothemound.blogspot.com.br/2012/10/an-invocation-of-dagda.html>. Acesso em: 04 de novembro de 2017.
* As imagens não fazem parte do texto original.  

Uma invocação ao Dagda
Ian Corrigan

Imagem relacionada

1. A visão do transe

“Agora, que o Portal seja como uma janela para a nossa visão... abrindo-se para revelar o outro mundo... e deixe-nos ver o Antigo e Poderoso, In Dagda Mor, o Grande Bom Deus... ele está sentado bela e generosamente, em um resplendor de dezenove cores... fogo e ouro e verde, brilhando e estando dispostos ao seu redor... fluindo e mudando, emergindo de um brilho branco dourado em seu centro... neste centro o Deus Vermelho está sentado... vestido nas cores do fogo e da terra... couro e ferro, túnica branca e capa enxadrezada em nove tons... com seus poderosos braços e pernas despidos... um imenso torc dourado descansa em volta de seu pescoço, com faixas de prata em seus punhos, refletindo as chamas oscilantes... e ao centro está o rosto do deus...”

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Feliz Samhain!

Foto da minha celebração, com oferendas de barmbrack e cerveja
escura para Cailleach, e maçãs para os Ancestrais. 


            Feliz Samhain para todos vocês! O festival, que também conhecido como Samain em irlandês antigo, é celebrado no dia 1º de novembro (ou nas vésperas, 31 de outubro) e marca o início do inverno e o fim da estação das colheitas no hemisfério norte. Mais do que em qualquer outro Dia Trimestral (Oímelc, Beltine e Lugnasad), há um grande perigo que ronda durante essa época, uma vez que se acreditava que o outro mundo estava facilmente acessível, e assim, espíritos malfeitores e o Povo das Colinas poderiam vagar livremente pela terra, prontos para causar infortúnios aos homens e animais. Um forte tema caótico permeia o festival e acreditava-se que nesse dia as tropas das fadas saíam das colinas para fazer suas procissões e batalhar umas contra as outras e os espíritos dos humanos poderiam ser abduzidos para suas moradas debaixo da terra. Como forma de se proteger desses espíritos e impedir que se chame a atenção deles, diversas medidas eram tomadas como a confecção de uma cruz de Parshell (um pedaço de graveto com palha entrelaçada),  esculpir faces em nabos para afastá-los (que mais tarde deu origem ao famoso costume do Halloween de esculpir abóboras...), carregar uma faca de punho preto, fantasiar-se ou até mesmo usar uma roupa invertida.

domingo, 29 de outubro de 2017

Os Dindshenchas em prosa: Carn Húi Néit

46. Carn Húi Néit

            Bres, filho de Elathan, filho de Nét – que é Net, filho de Nuacha, ou Net, filho de Angaid, o ancestral de Bres, morreu lá, mas foi o próprio Bres que morreu lá, pois foi ele que no reinado de Nechtán da Mão Clara, rei de Munster (ou Nechtán da Mão Vermelha), exigiu de cada casa da Irlanda uma centena de bebidas de leite de uma vaca parda sem chifres ou do leite de uma vaca de alguma outra cor. Então, as vacas de Munster foram chamuscadas por ele (Nechtan) em uma fogueira de samambaia e elas então foram manchadas com um mingau de cinzas da linhaça para que ficassem da cor marrom escuro. Isso foi feito através do conselho de Lugh mac Ethlenn e do feiticeiro Findgoll, filho de Findamnas, e eles também construíram trezentas vacas de madeira com baldes marrons escuros em suas junções no lugar das tetas. Esses baldes foram mergulhados na substância escura dos pântanos.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Inscrições abertas para o IX EBDRC

       Boa noite, pessoal! Estou passando para informar que já estão abertas as inscrições para o IX EBDRC (Encontro Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta), que esse ano acontecerá em Guaratiba, no Rio de Janeiro! Para aqueles que não conhecem, o EBDRC é um encontro que visa reunir toda a comunidade druídica, reconstrucionista ou que siga qualquer vertente da espiritualidade céltica do Brasil em um único lugar, com quatro dias de intensa vivência, palestras, confraternização, jogos e muito, muito aprendizado! 
       Como um dos organizadores desse ano, venho convidar todos os leitores do blog para que possamos estar juntos no ano que vem, entre os dias 31 de maio e 3 de junho! O valor para o segundo lote está nas imagens abaixo, mas não perca tempo e faça assim que puder a sua inscrição, já que o valor vai subindo a cada lote. No preço estão inclusos a hospedagem e alimentação, tal como o acesso para todas as atividades e espaços do local (incluindo uma piscina...). Não percam essa oportunidade de confraternizar e ritualizar com os praticantes da religião céltica no Brasil! Aguardamos vocês!



domingo, 22 de outubro de 2017

O Roubo do Gado de Regamna

Táin Bó Regamna
O Roubo do Gado de Regamna[1]

            Quando Cuchulain dormia em Dun Imrid[2], ele ouviu um grito que veio do norte, vindo diretamente em sua direção; o grito era terrível e o mais aterrorizante para ele. Ele acordou do meio de seu sono e caiu, com a queda de uma carga pesada, de sua cama[3] no chão do lado oriental de sua casa. Ele então foi para fora com suas armas e ficou no gramado diante da sua casa, mas sua esposa trouxe suas armas e roupas quando o seguiu. Ele viu Laeg em sua biga atrelada, vindo de Ferta Laig[4], do norte, e disse “O que te traz aqui?” “Um grito,” disse Laeg, “que escutei nas planícies.” “De que lado ele veio?” disse Cuchulain. “Pareceu que veio do noroeste,” disse Laeg, “que é, ao longo da grande estrada de Caill Cuan[5].” “Vamos então seguir o som para sabermos o que é,” disse Cuchulain.

domingo, 15 de outubro de 2017

Os Dindshenchas em prosa: Dumae Selga

71. Dumae Selga

            Ard Cain foi o seu primeiro nome, até a caça dos seis suínos de Derbrenn, a filha de Eochaid Fedlech. Ela foi o primeiro amor de Oengus Mac Ind Óc e os suínos eram seus filhos adotivos quando eram humanos, até a mãe deles, Dalb a Rude, colocar neles e em suas esposas um feitiço difundido em um encontro das nozes[1] de Caill Achaid. O nome dos homens eram Conn, Find e Fland, e o nome das mulheres eram Mel, Tregh e Tréis. Os javalis (os homens que foram transformados) eram chamados de Froechán, Banbán e Brogarban, e as porcas (as mulheres que foram transformadas) eram chamadas de Cráinchrín, Coelchéis e Treilech.