domingo, 19 de novembro de 2017

Como Finn obteve o conhecimento e a morte de Cul Dub

Tucait fagbála in fesa do Finn ocus marbad Cuil Duib
Como Finn obteve o conhecimento e a morte de Cul Dub

Bruiden Átha

            Uma vez, Find O’Baiscne estava em Cind Chuirrig[1]. Ele esteve sem uma esposa por um longo tempo. Ele então foi em direção ao Suir[2] e para o Dún Iascaig[3]. Em Caher no Suir, ele viu a filha de um pastor lavando sua cabeça e seu nome era Badamair. Ele a levou consigo e ela viveu com ele.

            Foi Currech Lifi de Leinster, aquele que nomeou Rath Cuirrig, que matou seu irmão adotivo Dub O’Duibne, a quem Diarmait, filho de Duibne, descende. Finn então foi lidar com Currech de uma vez, mas Currech foi para o oeste, cortou a cabeça de Badamair, a esposa de Finn, e a levou consigo para o leste. No entanto, Finn o seguiu, cortou sua cabeça e a levou consigo para o oeste. Por isso Cenn Currig[4] (“Cabeça de Currach”) é assim chamada e por isso foi cantado:

domingo, 12 de novembro de 2017

Os Dindshenchas em prosa: Crotta Cliach

47. Crotta Cliach

            Cliach do Síd Báine (“Síd de Baine”) era um harpista de Smirdub, filho de Smal, o rei dos Três Rosses. Ele convidou Conchenn, filha de Fodb[1], do síd[2] dos Homens de Femen[3]. Ou pode ser que o nome dela seja Báine.

            Cliach ficou um ano inteiro fazendo música naquela colina, mas por conta do poder mágico das fadas, ele não se aproximou do síd e não podia fazer nada para as meninas, mas ele tocou sua harpa até a terra debaixo dele explodir e de lá saiu um dragão (e Cliach morreu de medo – tathaim ar time).

domingo, 5 de novembro de 2017

Uma invocação ao Dagda

Ian Corrigan, o líder da organização A Druid Fellowship (ADF), escreve sobre muitas práticas e ritos belamente inspirados para os deuses gaélicos. O rito abaixo, combinado com uma visão de transe, foi retirado de seu blog particular “Into the Mound” e nos dá belos insights do deus Dagda. Esse modelo pode ser seguido na íntegra ou você pode adaptá-lo para se adequar às suas necessidades, como no caso das nove oferendas, onde você pode subsitui-las por nove oferendas que sejam mais acessíveis para você.

Fonte: “An Invocation of the Dagda”, por Ian Corrigan em seu blog “Into the Mound”. Disponível em: <http://intothemound.blogspot.com.br/2012/10/an-invocation-of-dagda.html>. Acesso em: 04 de novembro de 2017.
* As imagens não fazem parte do texto original.  

Uma invocação ao Dagda
Ian Corrigan

Imagem relacionada

1. A visão do transe

“Agora, que o Portal seja como uma janela para a nossa visão... abrindo-se para revelar o outro mundo... e deixe-nos ver o Antigo e Poderoso, In Dagda Mor, o Grande Bom Deus... ele está sentado bela e generosamente, em um resplendor de dezenove cores... fogo e ouro e verde, brilhando e estando dispostos ao seu redor... fluindo e mudando, emergindo de um brilho branco dourado em seu centro... neste centro o Deus Vermelho está sentado... vestido nas cores do fogo e da terra... couro e ferro, túnica branca e capa enxadrezada em nove tons... com seus poderosos braços e pernas despidos... um imenso torc dourado descansa em volta de seu pescoço, com faixas de prata em seus punhos, refletindo as chamas oscilantes... e ao centro está o rosto do deus...”

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Feliz Samhain!

Foto da minha celebração, com oferendas de barmbrack e cerveja
escura para Cailleach, e maçãs para os Ancestrais. 


            Feliz Samhain para todos vocês! O festival, que também conhecido como Samain em irlandês antigo, é celebrado no dia 1º de novembro (ou nas vésperas, 31 de outubro) e marca o início do inverno e o fim da estação das colheitas no hemisfério norte. Mais do que em qualquer outro Dia Trimestral (Oímelc, Beltine e Lugnasad), há um grande perigo que ronda durante essa época, uma vez que se acreditava que o outro mundo estava facilmente acessível, e assim, espíritos malfeitores e o Povo das Colinas poderiam vagar livremente pela terra, prontos para causar infortúnios aos homens e animais. Um forte tema caótico permeia o festival e acreditava-se que nesse dia as tropas das fadas saíam das colinas para fazer suas procissões e batalhar umas contra as outras e os espíritos dos humanos poderiam ser abduzidos para suas moradas debaixo da terra. Como forma de se proteger desses espíritos e impedir que se chame a atenção deles, diversas medidas eram tomadas como a confecção de uma cruz de Parshell (um pedaço de graveto com palha entrelaçada),  esculpir faces em nabos para afastá-los (que mais tarde deu origem ao famoso costume do Halloween de esculpir abóboras...), carregar uma faca de punho preto, fantasiar-se ou até mesmo usar uma roupa invertida.

domingo, 29 de outubro de 2017

Os Dindshenchas em prosa: Carn Húi Néit

46. Carn Húi Néit

            Bres, filho de Elathan, filho de Nét – que é Net, filho de Nuacha, ou Net, filho de Angaid, o ancestral de Bres, morreu lá, mas foi o próprio Bres que morreu lá, pois foi ele que no reinado de Nechtán da Mão Clara, rei de Munster (ou Nechtán da Mão Vermelha), exigiu de cada casa da Irlanda uma centena de bebidas de leite de uma vaca parda sem chifres ou do leite de uma vaca de alguma outra cor. Então, as vacas de Munster foram chamuscadas por ele (Nechtan) em uma fogueira de samambaia e elas então foram manchadas com um mingau de cinzas da linhaça para que ficassem da cor marrom escuro. Isso foi feito através do conselho de Lugh mac Ethlenn e do feiticeiro Findgoll, filho de Findamnas, e eles também construíram trezentas vacas de madeira com baldes marrons escuros em suas junções no lugar das tetas. Esses baldes foram mergulhados na substância escura dos pântanos.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Inscrições abertas para o IX EBDRC

       Boa noite, pessoal! Estou passando para informar que já estão abertas as inscrições para o IX EBDRC (Encontro Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta), que esse ano acontecerá em Guaratiba, no Rio de Janeiro! Para aqueles que não conhecem, o EBDRC é um encontro que visa reunir toda a comunidade druídica, reconstrucionista ou que siga qualquer vertente da espiritualidade céltica do Brasil em um único lugar, com quatro dias de intensa vivência, palestras, confraternização, jogos e muito, muito aprendizado! 
       Como um dos organizadores desse ano, venho convidar todos os leitores do blog para que possamos estar juntos no ano que vem, entre os dias 31 de maio e 3 de junho! O valor para o segundo lote está nas imagens abaixo, mas não perca tempo e faça assim que puder a sua inscrição, já que o valor vai subindo a cada lote. No preço estão inclusos a hospedagem e alimentação, tal como o acesso para todas as atividades e espaços do local (incluindo uma piscina...). Não percam essa oportunidade de confraternizar e ritualizar com os praticantes da religião céltica no Brasil! Aguardamos vocês!



domingo, 22 de outubro de 2017

O Roubo do Gado de Regamna

Táin Bó Regamna
O Roubo do Gado de Regamna[1]

            Quando Cuchulain dormia em Dun Imrid[2], ele ouviu um grito que veio do norte, vindo diretamente em sua direção; o grito era terrível e o mais aterrorizante para ele. Ele acordou do meio de seu sono e caiu, com a queda de uma carga pesada, de sua cama[3] no chão do lado oriental de sua casa. Ele então foi para fora com suas armas e ficou no gramado diante da sua casa, mas sua esposa trouxe suas armas e roupas quando o seguiu. Ele viu Laeg em sua biga atrelada, vindo de Ferta Laig[4], do norte, e disse “O que te traz aqui?” “Um grito,” disse Laeg, “que escutei nas planícies.” “De que lado ele veio?” disse Cuchulain. “Pareceu que veio do noroeste,” disse Laeg, “que é, ao longo da grande estrada de Caill Cuan[5].” “Vamos então seguir o som para sabermos o que é,” disse Cuchulain.

domingo, 15 de outubro de 2017

Os Dindshenchas em prosa: Dumae Selga

71. Dumae Selga

            Ard Cain foi o seu primeiro nome, até a caça dos seis suínos de Derbrenn, a filha de Eochaid Fedlech. Ela foi o primeiro amor de Oengus Mac Ind Óc e os suínos eram seus filhos adotivos quando eram humanos, até a mãe deles, Dalb a Rude, colocar neles e em suas esposas um feitiço difundido em um encontro das nozes[1] de Caill Achaid. O nome dos homens eram Conn, Find e Fland, e o nome das mulheres eram Mel, Tregh e Tréis. Os javalis (os homens que foram transformados) eram chamados de Froechán, Banbán e Brogarban, e as porcas (as mulheres que foram transformadas) eram chamadas de Cráinchrín, Coelchéis e Treilech.

domingo, 8 de outubro de 2017

A caverna encantada de Keshcorran

Bruidhean Chéise Corainn
A caverna encantada de Keshcorran

1. Foi uma grande e usual competição de caça que Finn, filho de Cumall, filho de Art, filho de Trenmor, neto de Baeiscne, convocou com os corajosos e graciosos Fianna[1] dos gaélicos pelas nobres bordas de Corran[2], entre a bela tuatha[3] de Leyny[4], dentro dos confins de Brefny[5], no refúgio sem trilhas de Glendallan[6], nas regiões abundantes em noz e mastros[7] de Carbury[8], nos fortes abrigos dos bosques de Kyleconor[9] e sobre a vasta expansão plana de Moyconall[10].

2. Finn então sentou-se no monte de caça no topo da alta Keshcorran, e naquele instante, ficaram lá com ele ninguém menos que seus dois cães-lobos[11], Bran e Sceolaing, e Conan Mael mac Morna. Era doce para Finn olhá-los, escutar a música dos cães de caça, às claras torcidas alegres dos jovens, as falas de guerreiros atléticos e as profundas vozes de homens poderosos, aos vários assobios dos Fianna, em todas as selvagens e desertas florestas da terra, pois mesmo nas fronteiras das regiões estes gritos de caça que eles emitiam eram ouvidos livremente. Estes gritos eram tão altos que os veados levantavam de seus lugares, os texugos saíam de seus buracos, os pássaros levantavam vôo, e nesse ponto, cada colérico, ágil e feroz cão-lobo saía de sua coleira para correr pela tulach.[12]

domingo, 1 de outubro de 2017

Os métricos Dindshenchas: Mag Muirthemne

Poema/história 99
Mag Muirthemne

            Mag Muirthemne, de onde surgiu este nome? Não é difícil dizer. O mar a cobriu por trinta anos após o Dilúvio e por isso ela foi chamada de Muirthemne, que é, ‘escuridão do mar’ ou ‘está abaixo do teto do mar’. Ou, existia um mar mágico sobre ela, dentro do qual tinha um polvo com o poder de sucção. Ele podia sugar um homem com armadura, o deixando no fundo de seu saco de tesouro[1]. O Dagda veio com sua ‘clava da fúria’ em sua mão e a enterrou no polvo, cantando estas palavras: “Vira tua cabeça oca! Vira teu corpo voraz! Vira tua fronte engolidora! Sai! Vai embora!” O mar mágico então se retirou com o polvo, e pode ser por isso que o lugar foi chamado de Mag Muirthemne[2]