domingo, 15 de outubro de 2017

Os Dindshenchas em prosa: Dumae Selga

71. Dumae Selga

            Ard Cain foi o seu primeiro nome, até a caça dos seis suínos de Derbrenn, a filha de Eochaid Fedlech. Ela foi o primeiro amor de Oengus Mac Ind Óc e os suínos eram seus filhos adotivos quando eram humanos, até a mãe deles, Dalb a Rude, colocar neles e em suas esposas um feitiço difundido em um encontro das nozes[1] de Caill Achaid. O nome dos homens eram Conn, Find e Fland, e o nome das mulheres eram Mel, Tregh e Tréis. Os javalis (os homens que foram transformados) eram chamados de Froechán, Banbán e Brogarban, e as porcas (as mulheres que foram transformadas) eram chamadas de Cráinchrín, Coelchéis e Treilech.

domingo, 8 de outubro de 2017

A caverna encantada de Keshcorran

Bruidhean Chéise Corainn
A caverna encantada de Keshcorran

1. Foi uma grande e usual competição de caça que Finn, filho de Cumall, filho de Art, filho de Trenmor, neto de Baeiscne, convocou com os corajosos e graciosos Fianna[1] dos gaélicos pelas nobres bordas de Corran[2], entre a bela tuatha[3] de Leyny[4], dentro dos confins de Brefny[5], no refúgio sem trilhas de Glendallan[6], nas regiões abundantes em noz e mastros[7] de Carbury[8], nos fortes abrigos dos bosques de Kyleconor[9] e sobre a vasta expansão plana de Moyconall[10].

2. Finn então sentou-se no monte de caça no topo da alta Keshcorran, e naquele instante, ficaram lá com ele ninguém menos que seus dois cães-lobos[11], Bran e Sceolaing, e Conan Mael mac Morna. Era doce para Finn olhá-los, escutar a música dos cães de caça, às claras torcidas alegres dos jovens, as falas de guerreiros atléticos e as profundas vozes de homens poderosos, aos vários assobios dos Fianna, em todas as selvagens e desertas florestas da terra, pois mesmo nas fronteiras das regiões estes gritos de caça que eles emitiam eram ouvidos livremente. Estes gritos eram tão altos que os veados levantavam de seus lugares, os texugos saíam de seus buracos, os pássaros levantavam vôo, e nesse ponto, cada colérico, ágil e feroz cão-lobo saía de sua coleira para correr pela tulach.[12]

domingo, 1 de outubro de 2017

Os métricos Dindshenchas: Mag Muirthemne

Poema/história 99
Mag Muirthemne

            Mag Muirthemne, de onde surgiu este nome? Não é difícil dizer. O mar a cobriu por trinta anos após o Dilúvio e por isso ela foi chamada de Muirthemne, que é, ‘escuridão do mar’ ou ‘está abaixo do teto do mar’. Ou, existia um mar mágico sobre ela, dentro do qual tinha um polvo com o poder de sucção. Ele podia sugar um homem com armadura, o deixando no fundo de seu saco de tesouro[1]. O Dagda veio com sua ‘clava da fúria’ em sua mão e a enterrou no polvo, cantando estas palavras: “Vira tua cabeça oca! Vira teu corpo voraz! Vira tua fronte engolidora! Sai! Vai embora!” O mar mágico então se retirou com o polvo, e pode ser por isso que o lugar foi chamado de Mag Muirthemne[2]

domingo, 24 de setembro de 2017

O importuno Athirne e Midir de Brí Léith

Athirne Áilgessach ocus Mider Brí Léith
O importuno Athirne e Midir de Brí Léith[1]

            O homem mais inospitaleiro que já viveu na Irlanda foi Athirne, o Importuno, filho de Ferchertne. Ele foi até Midir de Brí Léith e roubou seus três grous da exclusão e inospitalidade, levando para sua casa por conta de sua mesquinhez e inospitalidade, para que nenhum homem da Irlanda visitasse sua casa esperando celebração ou entretenimento.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Apontamentos para as celebrações do equinócio de outono

Apontamentos para as celebrações do equinócio de outono


Introdução e informações preliminares

            Como já foi grandemente discutido por mim em outros textos aqui no blog, não há evidências firmes que afirmam que os antigos gaélicos tenham celebrado os solstícios e equinócios, pela pura falta de menção à esses nos mitos e por terem uma certa influência (supostamente...) estrangeira, normalmente anglo-saxônica, como é o caso do equinócio de outono que veremos mais para frente. Contudo, a presença de monumentos pré-históricos da Irlanda e Escócia que são alinhados com as datas dos solstícios e equinócios, como no caso do Loughcrew, na Irlanda, cujo interior é alinhado para ser iluminado com a luz do sol na manhã do equinócio de outono e de primavera, nos mostra que, ainda que não tenham sido de fato celebrados, os antigos gaélicos viam essas datas de grande importância astronômica, e possivelmente, religiosa.


domingo, 17 de setembro de 2017

A visita de Laeghaire mac Crimthann ao reino encantado de Magh Meall

Echtra Laegaire meic Crimthain
A visita de Laeghaire mac Crimthann ao reino encantado de Magh Meall[1]

Em uma época, Crimthann Cas era o rei de Connacht, a província que estava em uma assembleia próxima de Énloch, ou “O Lago do Pássaro”, em Magh nAei[2], ou “Planície de Aei.” Na noite em questão, o povo permaneceu reunido lá e quando eles se levantaram cedo pela manhã, viram um homem que vinha através da névoa em direção a eles: ele vestia um manto de cinco pregas, em sua mão estavam dois dardos com cinco extremidades, um escudo de aro dourado estava pendurado nele, em seu cinto estava uma espada de punho dourado e ele tinha um cabelo loiro atrás de si.

domingo, 10 de setembro de 2017

Os Dindshenchas em prosa: Hirasus

117. Hirasus

            Os quatro pássaros de Baile vieram assombrando Cairpre Lifechair até Ráith Cairpri. “Venha, venha!” diziam dois deles. “Eu vou, eu vou,” diziam os outros dois. Por sete vezes cinquenta noites os pássaros ficaram ridicularizando (?) ele, e não importava qual casa na Irlanda em que Cairpre estava, eles iam até ele. Estes pássaros eram os quatro beijos do Mac Óc[1]. Ele os transformou em quatro pássaros para que eles ficassem zombando dos nobres da Irlanda.

domingo, 3 de setembro de 2017

A causa da batalha de Cnucha

Fotha catha Cnucha inso
A causa da batalha de Cnucha

Quando Cathar Mor, filho de Fedlimid Fir Urglais, filho de Cormac Gelta-Gaith, estava no reinado de Tara e Conn das Cem Batalhas, em Kells, na terra do rigdonna[1], Cathar tinha um célebre druida chamado Nuada, filho de Achi, filho de Dathi, filho de Brocan, filho de Fintan, da Tuath Dathi em Breg. O druida pediu para Cathar lhe conceder uma terra em Leinster, pois ele sabia que seu patrimônio estaria lá. Cathar lhe deu a escolha da terra e a escolhida pelo druida foi Almu[2], em Leinster. A esposa de Nuada era Almu, filha de Becan.

domingo, 27 de agosto de 2017

O cortejo de Cruinne e Macha

Tochmarc Cruinn ocus Macha
O cortejo de Cruinne e Macha

            Cruinne, filho de Agnomain, filho de Fer Ulad (isto é, Muredach do Pescoço Vermelho – Muiredach Muinderg), os Ulads[1] de Dal Fiatach[2] foram nomeados com seu nome, filho de Fiatach, filho de Fir Urmi, filho de Dare, filho de Dlutag, filho de Dedsin, filho de Echdach. Ele saiu de seu castelo em direção ao noroeste e viu uma mulher vindo em sua direção. Ele nunca tinha visto uma mulher tão bela quanto esta que ele encontrou. Eles se cumprimentaram. “Quem é a sua família, qual é teu país e qual é o teu nome, menina?” Cruinne disse. “Não lhe negarei isto,” disse ela. “Eu sou Macha, filha de Bruide, filho de Ceite, filho de Cruinniuc (ou ‘Cruinnchu’), filho de Delbaeth, filho de Nechtan, filho de Echach Garb, filho de Duach Temen, filho de Bres, filho de Elathan, filho de Delbaeth, filho de Neid, filho de Indeth, filho de Allach, filho de Tad, filho de Tabarn,” disse a menina. “Eu sou uma druidesa e dotada com poderes,” disse a menina. “Tu vives com um homem, menina?” Cruinne perguntou. “Não,” respondeu ela. “Tu dormirás comigo?” Cruinne perguntou. “Se os poderes mágicos de minha tribo forem permitidos,” respondeu Macha, filha de Bruide. “Certamente os permitirei,” disse Cruinne. Cruinne levou a menina consigo para sua casa e ela dormiu essa noite em sua cama.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A deusa Tailtiu

TAILTIU
Deusa da terra e da agricultura



“Grande foi a façanha feita por Tailtiu com a ajuda do machado, a reivindicação da terra de cultivo do até então bosque, por Tailtiu, a filha de Magmor.”

Introdução

                Dando continuidade aos textos dos deuses gaélicos, escrevo um agora sobre uma divindade diferente, saindo um pouco da esfera dos Tuatha Dé Danann[1], ainda que seja uma deusa grandemente ligada à esta tribo. Como é um texto diferente daqueles já escritos com esta mesma temática, sua estrutura também será diferente – as partes “Nomes e títulos”, “Família” e “Mitos” compreendem um apanhado de informações mitológicas e históricas que encontramos em alguns dos principais textos mitológicos da Irlanda, enquanto que a segunda parte, ainda que tenha as informações citadas anteriormente e menções aos trabalhos de acadêmicos, será composto de especulações e associações intuitivas, que é o que normalmente chamamos de “gnoses”.

                Tailtiu, conhecida no mito irlandês como a rainha dos Fír Bolg[2] e mãe adotiva de Lug, é uma divindade com características bastante ctônicas e está provavelmente associada com a agricultura. Embora tenha uma mitologia relativamente curta, sua relação com um antigo festival irlandês, o Lugnasad, e com um deus bastante conhecido e cultuado dentro do politeísmo gaélico (Lug), fazem dela uma divindade que requer uma atenção especial.