quarta-feira, 20 de junho de 2012

Teeval, a Princesa do Oceano

O texto a seguir foi retirado do livro Manx Fairy Tales, de Sophia Morrison e traduzido por mim; me lembro de ter visto essa história em outro local, mas a princesa recebia o nome de Tiabháil, ou seja, a pronúncia é praticamente a mesma. Boa leitura. 
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Teeval, a Princesa do Oceano

Nos velhos dias, Culain, o ferreiro dos deuses, viva na Ilha de Mann. Foi na época em que Conchobar estava na corte do Rei de Ulster, e não tinha nada, a não ser a espada em sua mão. Ele era um belo jovem, tentando tornar-se rei. Então, um dia ele foi até o Druida de Clogher para perguntar-lhe o que ele tinha de melhor para fazer.

‘Vá em teu caminho,’ disse o Druida, ‘para a Ilha de Mann. Lá você encontrará um grande ferreiro, Culain. Peça-o para fazer a ti uma espada, uma lança e um escudo, e com isso, você ganhará o reinado de Ulster.’

Conchobar então seguiu, pegou um barco e foi para o mar. Desembarcando na Ilha de Mann, ele foi diretamente para o ferreiro Culain. Era noite quando ele chegou lá, e o brilho vermelho da fornalha brilhava na escuridão. Ele podia escutar vindo de dentro o ferreiro, os rugidos, o bater do machado na bigorna. Quando ele se aproximou, um grande cão, tão grande como um bezerro, começou a latir e rosnar como um trovão, trazendo seu mestre para fora.

‘Quem é você, jovem?’ disse ele.

‘Oh Culain!’ gritou Conchobar, ‘venho do Druida de Clogher, e ele disse para eu lhe pedir para fazer uma espada, uma lança e um escudo, pois somente com essas armas de tua forja eu poderia ganhar o Reinado de Ulster.’

A face de Culain escureceu no início, mas depois ele olhou Conchobar por um momento, e viu que o menino iria longe, dizendo:

‘Eu farei para ti, mas deverás esperar, pois o trabalho é longo.’

Então Culain começou a fazer as armas, e Conchobar esperou na ilha.

Na manhã de Maio, quando o sol acabara de nascer sobre Cronk-yn-Irree-Laa, ele estava caminhando pela praia, se perguntando quanto tempo mais demoraria para Culain fazer suas armas, e pensava que já estava na hora dele voltar. A maré tinha descido, e o sol brilhava na areia molhada. De repente, ele viu algo brilhando na beira das olhas a alguns passos dele. Ele correu até lá, e viu que era a mulher mais linda que ele já tinha visto, adormecida. Seu cabelo era dourado, como as flores do tojo; sua pele era mais branca que a espuma do mar, seus lábios tão vermelhos quanto o coral, e suas bochechas róseas como pequenas nuvens que voam diante da face do sol da manhã. As franjas de seu vestido de muitas algas coloridas levantavam e caiam com a maré e o fluir das ondas. Pérolas brilhavam em seu pescoço e braços. Conchobar ficou parado olhando para ela. Ele sabia que ela era uma Sereia, e assim que acordasse, ela voltaria para o oceano. Então, Conchobar a amarrou rapidamente com seu cinturão.

Então ela acordou e abriu seus olhos, que eram tão azuis quanto o mar, e quando ela acordou vendo que estava amarrada, ela gritou com medo, ‘Me solte, homem, me solte!’

Conchobar não respondeu, então ela disse de novo, ‘Me solte, eu te imploro!’ em uma voz tão doce quanto a música de Hom Mooar, O Violinista Fada.

Nesse tempo, Conchobar sentia que ele daria tudo para mantê-la. Ele respondeu, tremendo, ‘Mulher, meu coração, quem é você?’

‘Eu sou Teeval, a Princesa do Oceano,’ disse ela. ‘Me liberte, eu te imploro.’

‘Mas se eu te libertar,’ disse Conchobar, ‘tu me deixarás.’

‘Eu não posso ficar com você, Conchobar,’ ela gritou, ‘me liberte, e eu lhe darei um precioso presente.’

‘Eu te libertarei,’ respondeu Conchobar. ‘Não pelo presente, é por que não posso resistir a ti.’

Ele desamarrou o cinturão e ela disse, ‘Meu presente para ti é: Vá agora para Culain que está fazendo teu escudo, e diga-lhe que Teeval, Princesa do Oceano, lhe disse para colocar sua face no escudo e ao redor do escudo gravar o nome dela. Então, tu deverá usar sempre o escudo na batalha, e quando tu olhar para minha face e chamar meu nome, a força de teus inimigos sairá deles e virá para ti e teus homens.’ Quando ela disse isso, ela acenou seu braço branco para Conchobar e pulou nas ondas. Ele olhou tristemente por um longo tempo para o lugar onde ela desapareceu, e então ele caminhou lentamente para a forja de Culain, e lhe deu a mensagem.

Culain terminou o poderoso escudo como a Princesa tinha dito, e forjou também para Conchobar uma mágica espada de punho dourado e uma lança cravejada de pedras preciosas. Então Conchobar, em seu manto carmesim e túnica branca bordada em ouro, armado com seu grande escudo e poderosas armas, voltou para a Irlanda.

Tudo o que a Princesa do Oceano disse se tornou verdade. Quando ele ia para a batalha, ele olhava para a bela face em seu escudo e gritava, ‘Me ajude, Teeval.’

Então ele sentia a força vinda para ele, como a força de um gigante, e cortava seus inimigos como se corta grama. Depois de um tempo, ele se tornou famoso em toda a Irlanda devido às suas façanhas, e por fim, ele se tornou o Rei de Ulster. Então, ele convidou Culain para vir e viver em seu reinado, dando-lhe a planície de Muirthemne para ele. Mas nunca mais, ele viu a adorável Sereia.       
 

terça-feira, 19 de junho de 2012

O Solstício de Verão

Fonte: Site “Tairis: Midsummer”, por Annie Loughlinn. Disponível em: < http://www.tairis.co.uk/festivals/midsummer/>. All content by Annie Loughlin ©2015-2016. 

Solstício de Verão

Ao contrário das evidências para o Là na Caillich, temos certeza das evidências para as celebrações ritualizadas da véspera do Solstício de Verão (ou Véspera de S. João, Noite da Fogueira¹, Féill Sheathain,² Teine Féil’ Eóin,³ ou Feaill Eoin4) no dia 24 de junho na Escócia,5 ou na véspera do dia de S. João na Irlanda, no dia 23 de junho.6 No entanto, a proveniência dessas celebrações são discutíveis, e mais uma vez, assim como os outros festivais focados nos solstícios e equinócios, as evidências parecem apontar para uma forte influência estrangeira nas celebrações.7

Algumas das mais antigas menções das celebrações do Solstício de Verão na Escócia datam ao século XVI, normalmente no contexto de serem condenadas (e então banidas) pela Igreja devido às suas perceptíveis associações pagãs.8 Enquanto que a Igreja oficialmente desaprovava tais celebrações, elas na realidade persistiram até os séculos XVIII e XIX, mas eram notavelmente presentes apenas nas áreas de alta influência escandinava ou inglesa, como as Terras Baixas e as partes ao nordeste da Escócia.9

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Deidades, Forças Naturais e Ancestrais

'Deidades, Forças naturais e Ancestrais' do e-book 'Land, Sea and Sky', por Francine Nicholson. Traduzido por mim com a permissão da editora do e-book. Clique aqui para fazer o download.