quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Apontamentos para as celebrações do equinócio de outono

Apontamentos para as celebrações do equinócio de outono


Introdução e informações preliminares

            Como já foi grandemente discutido por mim em outros textos aqui no blog, não há evidências firmes que afirmam que os antigos gaélicos tenham celebrado os solstícios e equinócios, pela pura falta de menção à esses nos mitos e por terem uma certa influência (supostamente...) estrangeira, normalmente anglo-saxônica, como é o caso do equinócio de outono que veremos mais para frente. Contudo, a presença de monumentos pré-históricos da Irlanda e Escócia que são alinhados com as datas dos solstícios e equinócios, como no caso do Loughcrew, na Irlanda, cujo interior é alinhado para ser iluminado com a luz do sol na manhã do equinócio de outono e de primavera, nos mostra que, ainda que não tenham sido de fato celebrados, os antigos gaélicos viam essas datas de grande importância astronômica, e possivelmente, religiosa.

            É importante falar também que, ainda que eu tenha unificado todas as celebrações a seguir neste único texto, sugerindo um caráter geral entre os antigos gaélicos, muitas celebrações gaélicas tinham um caráter puramente local, com suas tradições e datas divergindo dependendo do lugar onde eram observadas. No caso do Lugnasad, por exemplo, era celebrada a Feira de Tailtiu na atual cidade de Teltown, enquanto celebrações similares aconteciam no condado de Leinster, com a Feira de Carmun. Um outro exemplo que ilustra melhor isso são as celebrações que aconteciam no solstício de verão – enquanto que na Ilha de Man eram feitas oferendas para Manannán mac Lir, a Irlanda desconhecia essas celebrações, observando as festas de Áine na colina que leva o seu nome, conhecida atualmente como Knockaine.

Além disso, não existe uma conexão certa e clara entre as celebrações explicadas abaixo com a data do equinócio de outono propriamente dita, ainda que sua época supostamente esteja relacionada com tal, como o escocês Là Fhèill Mìcheil, que acontecia no dia 29 de setembro, próximo à data do equinócio de outono (21/22 de setembro, no hemisfério norte) e o An Clabhsúr na Irlanda e o manês Yn Meailley, cujos temas são voltados para o final da colheita, que acontecia por volta da época do outono, e na preparação para o início do inverno, o Samain. Também, é claro, pode-se supor que estas celebrações sejam oriundas das mais antigas festividades e tradições do Lugnasad, o início do outono e da estação da colheita, como supostamente aconteceu com as celebrações do Beltine e solstício de verão, e o Samain e solstício de inverno, sugerindo assim que as celebrações abaixo tenham sido originalmente observadas na própria data ou por volta do Lugnasad. Contudo, como o tema do final da colheita é recorrente, tal como a preparação para os meses de inverno que começavam no Samain (além de muitos pontos em comum que as três celebrações tinham), é provável que estas festividades remetam, de fato, à uma data próxima ao equinócio de outono.

Tendo essas informações em mente, podemos então prosseguir para uma explicação sobre as três celebrações que aconteciam nos três países gaélicos por volta da época do equinócio de outono, cujas festividades tinham uma ênfase muito forte na colheita, mais especificamente no último feixe de grãos que era colhido do campo (ao redor do qual muitas superstições e tradições estavam relacionadas), e em um banquete realizado para a família e para os ceifadores, usando os alimentos colhidos na própria ocasião, além da confecção das tradicionais bonecas de grãos e do “nó da colheita” (restrito apenas à algumas partes da Irlanda).  

As celebrações na Irlanda: An Clabhsúr

            Na Irlanda, mais especificamente no Condado de Kerry, a época do final da colheita era conhecido como An Clabhsúr ou O Clousúr (“O Encerramento”), sendo uma data móvel que dependia do clima e das colheitas em si.

            Os mais difundidos costumes estava centrado no último feixe de grãos que era colhido dos campos, cujas tradições variavam de acordo com o lugar. Durante o final da colheita, uma pequena parte das plantações eram deixadas por último enquanto os trabalhadores faziam o restante da colheita. Nessa pequena e última porção da plantação que restava, após todo o campo já ter sido colhido, habitava uma lebre que, segundo as lendas, era uma bruxa transformada para roubar a produção leiteira das vacas do fazendeiro. Quando finalmente então a última porção era colhida, o fazendeiro gritava “Nós lhe enviamos a lebre!” para outro fazendeiro que estava também fazendo a colheita em seus campos, com a finalidade de expulsar a lebre “azarada” de sua fazenda, e assim, a lebre azarada ia de fazenda em fazenda até chegar no último fazendeiro da região a fazer a sua colheita. Esse último feixe era chamado de cailleach, “velha” ou “bruxa”, e precisava ser cuidada pelo fazendeiro desafortunado até o ano seguinte.

Em relação ao último feixe de grãos de cada fazenda (sem ser o último da região), em algumas partes da Irlanda, as meninas eram convidadas a cortar este último feixe, e quem conseguisse colher com um único corte, se casaria dentro de um ano, enquanto que em outros lugares, a pessoa que fizesse a última colheita morreria solteira. Em algumas fazendas, a pessoa mais jovem da casa era chamada para fazer o corte, e em outros lugares, tirava-se na sorte. O último feixe era amarrado de forma diferente dos demais e era levado até a porta do dono da fazenda pela pessoa que o colheu, sendo borrifada água benta no feixe e no ceifador, garantindo uma proteção contra a seca no ano seguinte.

O último feixe de grãos (em todas as fazendas) era então mantido pelo fazendeiro na vacaria ou na casa, até o ano seguinte quando era substituído pelo último feixe da colheita seguinte. Acreditava-se que esse último feixe tinha poderes de cura do gado e os seus grãos podiam ser queimados para serem usados em uma pomada para doenças de pele. Seus grãos também podiam ser dados para as galinhas para garantir uma boa abundância de ovos ou eram usados em alguma receita no grande banquete da colheita, que é o que veremos a seguir.

Um banquete com a produção colhida era uma tradição de muitos lugares da Irlanda e da Ilha de Man (com algumas variações na Escócia), sendo o equivalente do Dia de Ação de Graças observado com variações em diversas partes do mundo. Esse banquete, normalmente um jantar, era realizado pela esposa do dono da fazenda, sendo oferecida em alguns casos para os trabalhadores que auxiliaram na colheita. O banquete acontecia na cozinha, mas em outras regiões também poderia ser realizado no celeiro, propriamente limpo e arrumado, decorado também com o último feixe. Muito provavelmente, o jantar consistia da produção obtida na colheita da própria fazenda, além de serem servidos gansos, galos e cordeiros (menos comum). No leste de Ulster, um banquete também era dado após a finalização da colheita do linho, e no sudoeste da província era dada a “Festa dos Stampy” após a colheita das batatas, cujo prato principal era o stampy – um tipo de pão feito com batatas.   

Dava-se uma atenção especial aos instrumentos da colheita, como as gadanhas, pás e foices, por exemplo. Antes de serem guardadas, uma vez que a colheita teoricamente já teria acabado, os instrumentos de corte eram cuidadosamente afiados para a colheita seguinte e até mesmo um encantamento conhecido como ortha an fhaoir, “encantamento do gume” era dito sobre tais instrumentos na hora da afiação. Depois de afiados, os instrumentos eram envolvidos em um tipo de peça em material para proteção ou eram envoltos por cordas de palha, e assim, devidamente guardados até o ano seguinte. Em Dingle e algumas partes da província de Connaught, os homens, após a colheita, levavam esses instrumentos para a cozinha e ameaçava destrui-los no fogo se as mulheres não preparassem uma boa refeição.

Um costume bem difundido em diferentes partes da Irlanda é o “nó da colheita” – um tipo de artesanato trançado feito com caules de grãos, como trigo e cevada. Homens e mulheres usavam estes nós pendurados em suas roupas durante o banquete, simbolizando que a colheita havia oficialmente acabado. Enquanto algumas partes da Irlanda atestam que esse costume seja estrangeiro, sendo trazido da Inglaterra e da Escócia, outras partes alegam que o “nó da colheita” é nativo da Irlanda. Similar a um costume encontrado na Ilha de Man, era elaborada uma boneca feita com feixes de grãos conhecida como calliagh, vestida como uma boneca comum e usadas na decoração do local onde as celebrações e os banquetes aconteceriam.

Por volta do dia 29 de setembro, no dia de São Miguel, começava-se também a estação da caça e a colheita das maçãs, assim como da caça aos gansos, que era chamada de Fomhar na nGéan, “colheita dos gansos”. A época também anunciava o encerramento da estação da pesca, e no Condado de Waterford, as famílias iam até o mar, onde atiravam uma boneca feita com algas chamada “Micil” (Miguel). Esse costume apresenta paralelos com outras oferendas feitas ao mar, com o objetivo de agradecer ou pedir por uma pesca farta.     

As celebrações na Escócia: Là Fhèill Mìcheil

            Na Escócia, o início do outono era marcado pelas festividades do dia de São Miguel, ou Là Fhèill Mìcheil, que acontecia no dia 29 de setembro.

            Não é de se espantar que, como o festival leva o nome de um santo grandemente associado com cavalos (e com o mar), a celebração mais notória era a corrida de cavalos, fato que deu mais um nome ao festival – Latha na Marchachd, ou “dia da equitação”. Em alguns locais, tais corridas eram realizadas na praia, tanto por homens como por mulheres, que não usavam nenhum instrumento de equitação, como selas e freios. Os homens montavam com as mulheres atrás de si, e um costume famoso e permitido era o roubo dos cavalos do vizinho na noite anterior à corrida, contando que fossem devolvidos no dia seguinte. Em algumas regiões da Escócia, os competidores iam até um certo cruzamento da região, davam três voltas no sentido horário e então voltavam para a aldeia.

            Os struans (ou strùthan), um tipo de pão doce, também eram uma parte importante da celebração. Eles eram feitos pelas mulheres com os grãos obtidos na colheita (normalmente aveia, cevada e centeio, os cereais mais comuns da Escócia e das Ilhas Hébridas) e eram dados de presente para os homens com quem cavalgaram e para cada membro da família e seus empregados. Sendo preparados na noite anterior ao festival, eles eram consumidos no café da manhã, acompanhado de carne de cordeiro, antes das corridas de cavalo acontecerem. Sua feitura era de muita importância, e como tal, muitas orações que eram ditas durante o seu preparo ou antes do consumo foram registradas, sugerindo que antigos ritos podem ter acontecido durante a sua execução. Quando os struans estavam cozidos, a pessoa que preparou quebrava um pedaço e jogava no fogo como uma oferenda para o Donas ou o Velho Chifrudo (o diabo), para que ele ficasse longe de sua família. Os struans podiam ter formas circulares com um buraco no centro ou no formato triangular (remetendo à uma vagina) ou à um formato de escudo (remetendo ao escudo de São Miguel), e a família que fizesse o primeiro struan da aldeia teria boa sorte nas próximas colheitas.

            A colheita das cenouras, que acontecia por volta da época do feriado de São Miguel, deu origem a diversos costumes relacionados com a sua colheita, e o domingo após o dia de São Miguel que era destinado à colheita das cenouras, acabou ficando conhecido como Domhnach Curran, “domingo das cenouras”. A colheita era normalmente feita por mulheres e meninas, sendo usadas para o preparo de receitas ou como presentes para os homens com quem cavalgaram, como os struans. Era costume dos homens roubar as cenouras enquanto as mulheres faziam sua colheita. Enquanto não é certo a origem ou o significado desse tradicional costume, as orações e cânticos associados com o presenteio e a colheita desses vegetais sugerem que tenham sido destinadas à prosperidade e fertilidade.

            Na noite do festival, haviam festas com muita diversão, músicas e danças. Assim como na Irlanda (na forma das bonecas e do último feixe de grãos), Cailleach é lembrada em uma dança que encena a sua morte e ressurreição. A dança, chamada Cailleach an Dudain, “Cailleach do Moinho” (no mito da Loucura de Suibhne uma personagem com esse mesmo nome aparece), é feita por um homem e uma mulher, que deita no chão após o homem bater com uma varinha em sua cabeça. Após imitar um lamento pela mulher ter morrido, o homem toca com a varinha em cada parte do corpo da mulher, que conforme vai sendo tocada, ganha vida e começa a se mexer até a mulher ficar inteiramente viva novamente. Enquanto que não está claro o verdadeiro significado da dança, é tentador comparar Cailleach com o espírito da vegetação que morre nesta época do ano e renasce na primavera. A estudiosa Annie Loughlin sugere que a varinha pode ser uma referência à arma usada pela Cailleach no início da primavera para impedir que a vegetação cresça. 

As celebrações na Ilha de Man: Yn Meailley

            As festividades outonais da Ilha de Man eram conhecidas como Yn Meailley, ou Yn Mheillea, “O Banquete dos Ceifadores”, que acontecia por volta do final da colheita, sendo, portanto, uma festa móvel tal como o An Clabhsúr na Irlanda. Diferente da Irlanda ou da Escócia, as celebrações da Ilha de Man são as que temos menos informações.

O termo “Yn Meailley”, além de ser usado para nomear o festival propriamente dito, também era usado para designar uma boneca feita nesse dia usando o último feixe de grãos da colheita e decorada com fitas, sendo então desfilada diante dos ceifadores em uma procissão. Outros autores, no entanto, chamam a boneca de Yn Moidyn, “A Donzela”, e contam que são feitas de palha e decoradas com flores e fitas. Essa boneca era desfilada pela “Rainha do Meailley”, uma menina (normalmente a mais jovem) eleita entre as ceifadoras, em uma procissão do campo até a parte mais alta do campo, onde era colocada e saudada. Uma outra boneca, feita também com parte do último feixe colhido, era chamada de Baban ny Mheillea, “Boneca da Colheita”, e era vestida com roupas femininas e deixada na chaminé da cozinha até a colheita seguinte, quando era substituída por outra boneca. Ainda que não sabemos o simbolismo dessa boneca, provavelmente ela tenha sido elaborada para representar o espírito da colheita.

Após a confecção e o desfile da boneca, os trabalhadores da fazenda e a família aproveitavam uma ceia, com grande alegria e diversão, dada pelo fazendeiro, assim como na Irlanda, tendo sido preparada usando a colheita da própria fazenda, muito provavelmente, e além disso, há menções de bacon, carne de carneiro, custard (um creme de ovos), tortas e mingau de leite e aveia, como partes do banquete. Após o banquete, frequentemente aconteciam danças, músicas e contação de histórias, e como a procissão da Yn Meailley caiu em desuso, o nome passou a designar apenas a ceia em si.  

Conclusão e sinopse dos costumes e práticas

            Com todas as informações citadas até aqui, podemos concluir que grande parte das celebrações estava centrada na colheita (seja a colheita das cenouras na Escócia, ou a de diferentes produtos na Irlanda, como a de batatas, cereais ou linho), logo, muitos costumes associados com o dia tinham uma inevitável conexão com ela – desde as superstições associadas com o último feixe dos campos até a confecção de uma boneca usando palha ou feixes de grãos colhidos. Como uma festa da colheita, também não é de se surpreender que o festival remeta à abundância e à fartura, sintetizando esses temas em um grande banquete dado pelo dono da fazenda para sua família e seus empregados. Assim, com o objetivo de sintetizar todas as informações dadas, segue uma sinopse dos costumes e práticas associadas com as celebrações citadas acima.  

1. A colheita da “cailleach”, o último feixe dos campos, na Irlanda, com a exposição deste na casa ou na vacaria ou para a cura do gado, problemas de pele e abundância de ovos;

2. A confecção de uma boneca, na Irlanda e na Ilha de Man, usando o último feixe colhido, vestida e decorada com fitas e flores, e deixada no lugar onde as celebrações aconteciam ou na cozinha;

3. A procissão da boneca da colheita, na Ilha de Man, sendo liderada pela “Rainha da Colheita” até o ponto mais alto dos campos;

4. O banquete da colheita, na Irlanda e Ilha de Man, com a produção da colheita das fazendas além de gansos, galos, cordeiros e stampys, na Irlanda, e bacon, tortas, carneiro, mingau de leite e aveia e custards na Ilha de Man.

5. O café da manhã, na Escócia, com os strùthan e carne de cordeiro;

6. A confecção dos “nós da colheita”, na Irlanda, usado por homens e mulheres durante o banquete da colheita para simbolizar que a colheita finalmente terminou;

7. O cuidado com os instrumentos da colheita, na Irlanda, com os homens afiando os instrumentos usados e deixando-os prontos para a próxima colheita, guardando os instrumentos com peças de madeira ou envolvendo-os em corda de palha;

8. A oferendas das bonecas de alga, na Irlanda, sendo jogadas no mar para simbolizar que a estação da pesca acabou;

9. As corridas de cavalo, na Escócia, junto com o roubo dos cavalos dos vizinhos. As corridas eram realizadas por homens que carregavam as mulheres atrás de si, iam até um certo cruzamento, davam três voltas no sentido horário e então voltavam para a aldeia;

10. A colheita das cenouras, na Escócia, feita pelas mulheres que depois davam de presente aos homens, como um desejo de fertilidade e abundância;

11. A feitura dos strùthans, na Escócia, feita pela dona de casa ou pelas mulheres para cada membro da família e para cada empregado que a casa possuísse. Eram moldados em formas circulares com um buraco no centro ou em formato triangular, e após prontos, um pedaço era ofertado no fogo pedindo a proteção e o bem estar da família;

12. A dança Cailleach an Dudain, na Escócia, com uma encenação musical da morte e renascimento da Cailleach, sendo realizada por duas pessoas, um homem e uma mulher;

13. Danças, músicas e contação de histórias, na Irlanda, Escócia e Man, durante o banquete da colheita ou nas celebrações da noite.

Sugestões para uma celebração moderna

            E por fim, eu não poderia encerrar esse texto sem minhas sugestões para uma celebração moderna, caso você ou seu grupo decidam celebrar os solstícios e equinócios. Enquanto que alguns costumes claramente são inviáveis nos dias de hoje, pelo simples fato de muitos de nós não vivermos mais em um ambiente rural ou costeiro, muitos outros podem ser observados ou simplesmente adaptados. Vale lembrar que, apesar de eu ter unificado todos os costumes de todos os três países gaélicos, você pode observar apenas os costumes que são inerentes à tradição que seguir, adotando somente os costumes irlandeses se o seu foco devocional for mais irlandês, por exemplo; mas claro, isso não é uma regra e fica unicamente ao seu critério. Seguem, então, sugestões para as suas celebrações, que podem ser usadas ou adaptadas por você, como uma fonte de inspiração.

1. Faça um feixe de grãos comprados, amarre-os com um laço e deixe no seu altar ou na sua cozinha até o ano seguinte, quando será substituído. Por outro lado, você também pode usar parte dos grãos para o preparo de alguma refeição servida no banquete (ver mais abaixo) ou queimá-los para obter um pó que será usado na confecção de uma pomada para problemas de pele. Esse costume é uma adaptação das práticas relacionadas com o último feixe colhido.

2. Faça uma boneca de palha ou de feixes de grãos, decore-a com roupas femininas, fitas e flores, e após pronta, deixe-a exposta na sua cozinha ou no seu altar até o ano seguinte, quando será substituída por uma nova. A procissão dessa boneca pela menina mais nova da sua família ou do grupo com quem você faz as suas celebrações pode se tornar parte de um rito.

3. Na noite do festival após as suas observâncias religiosas, faça um grande banquete para seus amigos, familiares e/ou membros do seu grupo. Tradicionalmente, cenouras, struans, cordeiro, ganso, galo, carneiro, cordeiro, bacon, tortas, maçãs, mingau de aveia e leite, custard, stampy e batatas faziam parte do banquete, mas você pode usar os vegetais que estão disponíveis na sua região por volta dessa época, tal como os rendimentos da sua horta caseira, caso tenha uma. Adaptações e/ou receitas usando os ingredientes mencionados também me parece apropriado.

4. Faça um ou mais “nós da colheita” para você e/ou os membros de sua família. Use-os presos nas suas roupas durante os ritos ou no banquete ou deixe-os no altar durante o ano. Para ver como fazer, clique aqui.

5. Faça struans na véspera do festival e coma-os com sua família na manhã do festival. Se quiser ou tiver disponibilidade, acompanhe com carne de cordeiro. Como era ofertado um pequeno pedaço de um struan pronto para o “diabo” no fogo onde foram assados, para mantê-lo longe da família, hoje podemos ofertar para Brigit (a deusa do fogo doméstico) ou alguma outra divindade que sentir apropriado (ver mais abaixo), pedindo pela proteção de sua família. Para ver uma receita de struan, clique aqui.

6. Compre cenouras e dê como presente para seu marido/esposa ou namorado/a como um desejo de fertilidade e abundância para ele/a, se estes compartilharem das suas mesmas crenças religiosas (sim, eu sei que esse é costume um tanto estranho...).

7. Já que não temos disponibilidade para corridas de cavalo, a praticante norte-americana Marcelle Cohen dá uma sugestão muito interessante para substituir: o “Marsali Ros”, como ela chama, que consiste de um jogo de tabuleiro para os amigos, elaborado por vocês mesmos, com uma base de papel firme com as “casas” desenhadas enquanto usa-se dados para descobrir quantas casas o “cavalo” andará. Essa pode ser uma prática muito interessante para aqueles que tem filhos e querem inclui-los em suas celebrações. 

8. A dança Cailleach an Dudain pode formar parte do rito, especialmente se você o celebrar em grupo. Duas pessoas podem fazer a atuação da dança (ver mais acima), enquanto o restante do grupo usa instrumentos para fazer a música.

9. A Cailleach é mencionada nas celebrações dos três países gaélicos, logo, me parece apropriado homenageá-la nesse festival, como o espírito das colheitas e como a deusa que começará seu reinado em breve, já que o equinócio de outono antecede o início da estação invernal. Como São Miguel é associado com o festival na Escócia e por ter relações com cavalos e mar, muitos praticantes acreditam ser apropriado honrar Manannan mac Lir neste dia, já que oferendas também eram feitas ao mar em uma parte da Irlanda. Além disso, Lugh (como o deus que ganhou as colheitas para seu povo no Lugnasad) e Tailtiu (a deusa da terra e das colheitas) também podem receber homenagens nesse dia, se assim quiser.

10. Divirta-se! Seja em uma festa ou no banquete dado, a diversão, o prazer e a alegria eram componentes indispensáveis em todas as celebrações gaélicas. Danças, música, contação de histórias podem e devem ser uma parte maravilhosa para suas celebrações. Permita-se!

Meus mais sinceros bons desejos para todos você e que suas celebrações sejam alegres, e suas colheitas, abundantes.
Go mbeannaí Lugh daoibh!            

Bibliografia

Site Irish Culture and Customs. “Putting out the hare, putting on the harvests knots”, por Bridget Haggerty. Disponível em: <http://www.irishcultureandcustoms.com/ACustom/AfterHarvest.html>. Acesso em: 27 de agosto de 2017.

HARRISON, William. Mona Miscellany: “The Mheillea or ‘Yn Meailley’. Disponível em: <http://www.isle-of-man.com/manxnotebook/manxsoc/msvol16/p144.htm>. Acesso em: 27 de agosto de 2017.

Site Gaol Naofa. “Ritual within Gaelic Polytheism”, por Treasa Ní Chonchobhair e Annie Loughlin. Disponível em: <http://www.gaolnaofa.org/articles/ritual-within-gaelic-polytheism/>. Acesso em: 27 de agosto de 2017.

MOORE, A. W. The Folklore of the Isle of Man: “Customs and Superstitions Connected with the Seasons”. Disponível em: <http://www.isle-of-man.com/manxnotebook/fulltext/folklore/ch06.htm>. Acesso em: 27 de agosto de 2017.

Site Tairis. “Là Fhèill Mìcheil”, por Annie Loughlin. Disponível em: <http://www.tairis.co.uk/festivals/la-fheill-micheil/>. Acesso em: 27 de agosto de 2017. 



domingo, 17 de setembro de 2017

A visita de Laeghaire mac Crimthann ao reino encantado de Magh Meall

Echtra Laegaire meic Crimthain
A visita de Laeghaire mac Crimthann ao reino encantado de Magh Meall[1]

Em uma época, Crimthann Cas era o rei de Connacht, a província que estava em uma assembleia próxima de Énloch, ou “O Lago do Pássaro”, em Magh nAei[2], ou “Planície de Aei.” Na noite em questão, o povo permaneceu reunido lá e quando eles se levantaram cedo pela manhã, viram um homem que vinha através da névoa em direção a eles: ele vestia um manto de cinco pregas, em sua mão estavam dois dardos com cinco extremidades, um escudo de aro dourado estava pendurado nele, em seu cinto estava uma espada de punho dourado e ele tinha um cabelo loiro atrás de si.

domingo, 10 de setembro de 2017

Os Dindshenchas em prosa: Hirasus

117. Hirasus

            Os quatro pássaros de Baile vieram assombrando Cairpre Lifechair até Ráith Cairpri. “Venha, venha!” diziam dois deles. “Eu vou, eu vou,” diziam os outros dois. Por sete vezes cinquenta noites os pássaros ficaram ridicularizando (?) ele, e não importava qual casa na Irlanda em que Cairpre estava, eles iam até ele. Estes pássaros eram os quatro beijos do Mac Óc[1]. Ele os transformou em quatro pássaros para que eles ficassem zombando dos nobres da Irlanda.

domingo, 3 de setembro de 2017

A causa da batalha de Cnucha

Fotha catha Cnucha inso
A causa da batalha de Cnucha

Quando Cathar Mor, filho de Fedlimid Fir Urglais, filho de Cormac Gelta-Gaith, estava no reinado de Tara e Conn das Cem Batalhas, em Kells, na terra do rigdonna[1], Cathar tinha um célebre druida chamado Nuada, filho de Achi, filho de Dathi, filho de Brocan, filho de Fintan, da Tuath Dathi em Breg. O druida pediu para Cathar lhe conceder uma terra em Leinster, pois ele sabia que seu patrimônio estaria lá. Cathar lhe deu a escolha da terra e a escolhida pelo druida foi Almu[2], em Leinster. A esposa de Nuada era Almu, filha de Becan.

domingo, 27 de agosto de 2017

O cortejo de Cruinne e Macha

Tochmarc Cruinn ocus Macha
O cortejo de Cruinne e Macha

            Cruinne, filho de Agnomain, filho de Fer Ulad (isto é, Muredach do Pescoço Vermelho – Muiredach Muinderg), os Ulads[1] de Dal Fiatach[2] foram nomeados com seu nome, filho de Fiatach, filho de Fir Urmi, filho de Dare, filho de Dlutag, filho de Dedsin, filho de Echdach. Ele saiu de seu castelo em direção ao noroeste e viu uma mulher vindo em sua direção. Ele nunca tinha visto uma mulher tão bela quanto esta que ele encontrou. Eles se cumprimentaram. “Quem é a sua família, qual é teu país e qual é o teu nome, menina?” Cruinne disse. “Não lhe negarei isto,” disse ela. “Eu sou Macha, filha de Bruide, filho de Ceite, filho de Cruinniuc (ou ‘Cruinnchu’), filho de Delbaeth, filho de Nechtan, filho de Echach Garb, filho de Duach Temen, filho de Bres, filho de Elathan, filho de Delbaeth, filho de Neid, filho de Indeth, filho de Allach, filho de Tad, filho de Tabarn,” disse a menina. “Eu sou uma druidesa e dotada com poderes,” disse a menina. “Tu vives com um homem, menina?” Cruinne perguntou. “Não,” respondeu ela. “Tu dormirás comigo?” Cruinne perguntou. “Se os poderes mágicos de minha tribo forem permitidos,” respondeu Macha, filha de Bruide. “Certamente os permitirei,” disse Cruinne. Cruinne levou a menina consigo para sua casa e ela dormiu essa noite em sua cama.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A deusa Tailtiu

TAILTIU
Deusa da terra e da agricultura



“Grande foi a façanha feita por Tailtiu com a ajuda do machado, a reivindicação da terra de cultivo do até então bosque, por Tailtiu, a filha de Magmor.”

Introdução

                Dando continuidade aos textos dos deuses gaélicos, escrevo um agora sobre uma divindade diferente, saindo um pouco da esfera dos Tuatha Dé Danann[1], ainda que seja uma deusa grandemente ligada à esta tribo. Como é um texto diferente daqueles já escritos com esta mesma temática, sua estrutura também será diferente – as partes “Nomes e títulos”, “Família” e “Mitos” compreendem um apanhado de informações mitológicas e históricas que encontramos em alguns dos principais textos mitológicos da Irlanda, enquanto que a segunda parte, ainda que tenha as informações citadas anteriormente e menções aos trabalhos de acadêmicos, será composto de especulações e associações intuitivas, que é o que normalmente chamamos de “gnoses”.

                Tailtiu, conhecida no mito irlandês como a rainha dos Fír Bolg[2] e mãe adotiva de Lug, é uma divindade com características bastante ctônicas e está provavelmente associada com a agricultura. Embora tenha uma mitologia relativamente curta, sua relação com um antigo festival irlandês, o Lugnasad, e com um deus bastante conhecido e cultuado dentro do politeísmo gaélico (Lug), fazem dela uma divindade que requer uma atenção especial. 

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Feliz Lugnasad!



Desejo a todos um feliz Lugnasad! O festival é celebrado tradicionalmente no dia primeiro de agosto, e ele representa o início da colheita de grãos, frutas e legumes e o início do outono. Anualmente, uma feira era dada pelo rei da Irlanda para todos o seu povo, a fim de celebrar os bens da colheita e para dar uma oportunidade do povo vender suas mercadorias, pagar dívidas, comer, beber e dançar... O Lugnasad foi criado pelo deus Lugh em honra à sua mãe adotiva, Tailtiu, a deusa da terra, para homenageá-la após ter morrido de exaustão limpando uma planície da Irlanda para tornar propícia às práticas agrícolas. Hoje, celebramos Lugh, o doador das colheitas, e Tailtiu, a  generosa que nos abençoa com seus bens abundantes. Separei alguns materiais para vocês celebrarem e conhecer mais sobre o festival e algumas receitas perfeitas para o clima de colheita, e mais uma vez, que todos tenham uma incrível celebração e que Tailtiu possa abençoar tanto nossas colheitas materiais como emocionais!

História e mitologia 
Lùnastal, de Annie Loughlin 
Celebrando o Lùnastal, de Annie Loughlin (em inglês)
Os dindshenchas de Tailtiu 
Os dindshenchas em prosa de Tailtiu
Os dindshenchas de Carmun 

Os deuses
Receita de pão de trigo
Receita de cally irlandês

Pão de trigo para o Lugnasad

Lugnasad sem pão, não é Lugnasad! Seja para servir de alimento ou ser ofertado, o pão é uma peça fundamental nas celebrações do Lugnasad. Como um festival da primeira colheita – que obviamente inclui a colheita de grãos – o pão era o sinal da fartura de grãos colhidos para os gaélicos, seja o trigo, o centeio, a cevada ou aveia, onde todos eles podem ser transformados magicamente em pães, ou outras variações, como os famosos bannocks. A receita que vou ensinar hoje é o do pão de trigo, feito com ingredientes que qualquer um deve ter em casa.
  
Pão de trigo do Lugnasad


quarta-feira, 26 de julho de 2017

Oração para Tailtiu

Para Tailtiu

“Tailtiu do bom coração, filha de reis distantes,
Esposa amada de Eochaid, o estável
Que viveu pela perda, que resistiu à tempestade da guerra
E permaneceu firme apesar da tristeza e do sofrimento.
Tailtiu, mãe adotiva do esperto e astucioso Lugh,
Gentil que cuidou bem d’Ele que tem a mão longa,
Como se fosse seu próprio filho; em agradecimento
Pelo seu amor e cuidado, em honra de sua bondade
E de seu fervor, ele decretou que os jogos devem ser realizados,
Que todos devem festejar e se divertir em seu nome,
Recordando sua virtude e o seu valor. Ó Deusa,
Tailtiu do campo e da fazenda, eu te louvo e te honro.”


Fonte: Blog “Field of Stones: Prayer to Tailtiu”. Disponível em: < http:// http://fieldsofstone.tumblr.com/post/27814957689/to-tailtiu>. 

sábado, 22 de julho de 2017

A saga de Fionn

Fonte: MACCULLOCH, J.A. “The Religion of the Ancient Celts”. 1911. Disponível em: <http://sacred-texts.com/neu/celt/rac/index.htm>.

CAPÍTULO VIII.
A saga de Fionn

                Os personagens mais proeminentes da saga de Fionn, depois da morte de Cumal, o pai de Fionn, são Fionn, seu filho Oisin, seu neto Oscar, seu sobrinho Diarmaid com seu ball-seirc, ou “ponto da beleza”, o qual nenhuma mulher poderia resistir; Fergus, famoso por sua sabedoria e eloquência; Caoilte mac Ronan, o veloz; Conan, o personagem cômico da saga; Goll mac Morna, o assassino de Cumal, mas depois o devoto amigo de Fionn, além de outros diversos personagens menos importantes. Suas atividades, como as dos heróis de outras sagas e epopeias, são principalmente a caça, a luta e o sexo. Eles personificam bastante as características célticas – vivacidade, bravura, bondade e sensibilidade, tal como a vanglória e o temperamento impetuoso. Embora seja datada de tempos pagãos, a saga mostra pouco sobre as crenças pagãs, mas revela muita coisa em relação aos hábitos daquele período. Aqui, como sempre foi no início do celtismo, a mulher é mais que uma posse e ocupa um lugar relativamente importante. As diversas partes da saga, como aquelas do Kalevala finlandês, sempre existiram separadamente, nunca como uma epopeia completa, embora sempre tiveram uma certa relação umas com as outras. Lonnrot, na Finlândia, foi capaz, adicionando alguns vínculos próprios, de dar uma unicidade ao Kalevala, e se MacPherson se contentasse em fazer isso pela saga de Fionn, ao invés de inventar, transformar e servir o todo à maneira do sentimental século XVIII, ele teria trazido um benefício para a literatura céltica. As várias partes da saga pertencem à séculos diferentes e vem de autores diferentes, todas, no entanto, imbuídas com o espírito da tradição de Fionn. Não pode ser dada uma data para os inícios da saga, e adições foram feitas até o final do século XVIII, com o poema de Michael Comyn de Oisin em Tír na n-Og sendo uma parte genuína dela como qualquer uma das partes mais antigas. Seus conteúdos são, em parte, escritos, mas a maior parte é oral. Grande parte da saga está em prosa, e há bastante literatura poética do tipo “balada”, tal como o Märchen [NT: palavra alemã para “contos de fadas”] da criada linha universal puramente céltica com Fionn e o resto do bando heróico como os protagonistas. A saga personifica os ideais e as esperanças celticas; ela foi a literatura do povo céltico na qual se passava todas as riquezas da imaginação céltica; um mundo de sonho e fantasia na qual eles poderiam entrar em qualquer hora e se divertirem. Contudo, a respeito de sua imensa variedade, a saga preserva uma certa unidade e é provida de uma estrutura definida, recontando a origem dos heróis, os grandes eventos nos quais eles se envolvem, suas mortes ou aparições finais e o término do bando de Fionn.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Os métricos Dindshenchas: Carn Máil

Notas preliminares: Este dindshenchas (histórias que contam a origem dos lugares na Irlanda), relata a história de Lugaid Mal, um dos filhos do rei Daire, que foi exilado da Irlanda e posteriormente morreu em uma planície em Ulster, em um lugar que ficou conhecido como Carn Máil (Cairn de Mal), em sua homenagem. No entanto, o poema conta principalmente a história de quatro dos sete filhos do rei Daire, todos com o primeiro nome 'Lugaid', que caçaram um gamo encantado que seu pai possuía. Após a caçada do gamo, eles vão até uma casa, onde aparece uma gigante horrível que pede para se deitar com um deles, caso contrário, ela devoraria todos. Um deles, Lugaid Loeg, aceita dormir com ela, e então, a mulher horrível se transforma em uma linda donzela. A mulher em questão tem algumas semelhanças com Cailleach e com a Soberania - que a princípio parece horrível, mas depois se revela maravilhosa para aqueles que a merecem. Uma outra versão desta história está registrada no Cóir Anmnan.      

Poema/história 29
Carn Máil

1. Agradável é o tema que cai aos meus cuidados, o conhecimento não de um único lugar apenas, enquanto meu espírito lança luz para o leste, aos lugares secretos do mundo.

2. Como é que nenhum de vocês exigem, se ele busca tecer a teia do conhecimento, de onde, em qualquer época, veio o nome de Carn Mail na oriental Planície de Ulaid?

3. Lugaid Mal, ele forjou uma grande ruína, foi exilado de Erin: com sete cargas de navios, o príncipe viajou de Erin até a terra de Alba.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Os métricos Dindshenchas: Carmun

Poema/história 1
Carmun

1. Escutai, homens de Leinster dos túmulos,
Ó tropa que governa Raigne dos direitos santificados,
Até que vós obtenhais de mim, reunida em todas as mãos,
A nobre lenda de Carmun, alta em fama!

2. Carmun, local de encontro de uma feira hospitaleira,
Com relvados planos para corridas:
As tropas que costumavam vir para sua celebração
Conquistaram em suas brilhantes corridas.

3. Uma sepultura de reis é seu nobre cemitério,
Especialmente querido para as tropas de alta categoria;
Sob os montes das assembleias estão muitos
De sua tropa de uma linhagem sempre honrada.

sábado, 15 de julho de 2017

Os métricos Dindshenchas, vol. 1

Boa noite! Vocês agora podem acessar o arquivo "Os métricos Dindshenchas, vol. 1", traduzido do irlandês médio por Edward Gwynn, e do inglês, por mim, na seção "Mitologia" aqui do blog, ou clicando na imagem abaixo. 

O primeiro volume compreende 6 poemas/histórias, com os 5 primeiros focando na história de Temair (Tara), e o último, em Achall (uma colina perto de Tara).

Espero que seja útil e que Brigit e Ogma abençoem a todos!

 Os métricos Dindshenchas, vol. 1
Os métricos Dindshenchas, vol. 1
    

segunda-feira, 10 de julho de 2017

A loucura de Suibhne

A loucura de Suibhne
Buile Suibhne

                Quanto à Suibhne, filho de Colman Cuar, rei de Dal Araidhe, nós já contamos como ele ficou vagando e fugindo das batalhas. Aqui está a causa e a ocasião através dos quais estes sintomas e crises de loucura e êxtase se apoderaram dele além de todos os outros, do mesmo modo, o que aconteceu com ele posteriormente.

                Existia um certo nobre e distinto santo patrono na Irlanda: Ronan Finn, filho de Bearach, filho de Criodhan, filho de Earclugh, filho de Ernainne, filho de Urene, filho de Seachnusach, filho de Colum Cuile, filho de Mureadhach, filho de Laoghaire, filho de Niall. Ele era uma homem que cumpria o comando de Deus e carregava o jugo da piedade, e sofria perseguições pelo amor de Deus. Ele era o próprio servo digno de Deus, pois era seu costume crucificar seu corpo pelo amor de Deus e conquistar uma recompensa para sua alma. Um escudo acolhedor contra os ataques malignos do diabo e contra vícios era o gentil, amigável e vigoroso homem.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Feliz Grianstad an tSamhraidh!

Oferendas para Áine Chliar na minha celebração.

          Feliz Grianstad an tSamhraidh! No hemisfério norte, é comemorado o solstício de verão por volta dos dias 21-22 de junho. Apesar de não ser certo que o solstício de verão tenha sido cultuado como um festival pelos gaélicos pré-cristãos (por ter uma suposta influência nórdica e pela ausência do festival nos manuscritos irlandeses), hoje o celebramos como tal, visto que se tornou parte da tradição pela variedade de costumes associados com o dia em todos os países gaélicos. Tradicionalmente, ritos para Áine, com procissões de tochas, eram feitos em Munster, na colina de Knockaine, e na Ilha de Man, os ilhéus pagavam o “aluguel” da ilha para seu dono, Manannán mac Lir, também como agradecimento pela proteção e por suas bênçãos. Fogueiras eram acesas representando o poderio solar dessa época do ano, ervas eram colhidas na meia-noite, pois se acreditava que elas tinham poderes mágicos na noite mais curta do ano e haviam procissões para colinas e lagos, onde as festividades aconteciam – regadas com muita comida, bebida, danças, competições e narrativas, sempre ao redor da fogueira principal do festival ou de um mastro de madeira conhecido como craebh.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Celebrando o Solstício de Verão

Fonte: Site “Tairis: Celebrating Midsummer”, por Annie Loughlinn. Disponível em: < http://www.tairis.co.uk/celebrations/celebrating-midsummer/>. All content by Annie Loughlin ©2015-2016. 

Celebrando o Solstício de Verão  

Manannán é um deus encontrado tanto nas tradições irlandesas como nas escocesas (e, é claro, nas manesas), e é uma divindade bastante popular no politeísmo moderno, onde é visto como um rei sobrenatural e um guardião de portais, um deus do mar e de lugares aquáticos, um deus que testa e desafia. Para muitos politeístas gaélicos, ele é o deus mais naturalmente associado com as celebrações do solstício de verão, com festas e ritos sendo realizados em sua honra. Áine também reivindica o dia e tem tradicionalmente sua fortaleza em Cnoc Áine, no Condado de Limerick, onde ritos fúnebres são realizados em sua honra na véspera do Solstício de Verão.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Palestra - O Dagda: uma visão geral de seus atributos, mitos e características

Atendendo a pedidos, compartilho com vocês a palestra que dei no 8º Encontro Brasileiro de Druidismo e Reconstrucionismo Celta, sobre o Dagda. Para acessar o arquivo, basta clicar na imagem. Espero que possa ser útil! :)


quinta-feira, 11 de maio de 2017

Feliz Beltain!

Foto da minha celebração.

               Oíche mhaith! Sei que já passou bastante um pouquinho da data, mas venho desejar um feliz Beltain para todos!  O festival, que é celebrado tradicionalmente no dia 1° de maio (ou 1° de novembro, no hemisfério sul), anuncia a chegada do verão e é a época em que o Povo dos Sídhe está bastante ativo, pronto para causar confusão. O nome “Beltain”, que também é conhecido como Cetsamain, significa “fogueira brilhante”, e como essa tradução sugere, fogueiras eram acesas para simbolizar o poderio solar mais forte nessa época do ano (já que no hemisfério norte é verão...) e para purificar o gado e as pessoas que passassem pelas suas brasas ou que pulassem suas chamas. Tradicionalmente, a chama da lareira era apagada somente nessa época do ano, e era acesa com a chama trazida dessas grandes fogueiras comunitárias, ao redor das quais as divertidas celebrações aconteciam.

                Para os antigos gaélicos, a chegada do verão era uma época de muita alegria, prazer e festejos. Até os dias de hoje em algumas áreas rurais da Irlanda, são feitos os chamados “Arbustos de Maio” – pequenos arbustos decorados com fitas coloridas, serpentinas, ovos pintados, etc., e os “Galhos de Maio”, que apesar do que se poderia esperar, são versões maiores dos Arbustos, sendo usadas árvores ou partes grandes de árvores para o mesmo propósito. Apesar de toda a diversão e alegria, no entanto, medidas eram tomadas para se proteger do Povo do Sídhe, e para tal, as pessoas penduravam flores (normalmente amarelas, como o malmequer-dos-brejos e o ranúnculo) na entrada de suas casas ou nas janelas, impedindo que as “fadas” entrassem, ou eram colocadas nos animais da fazenda para protegê-los do “olho gordo” das pessoas que eram capazes de roubar a produção de leite das vacas, por exemplo.


Caudle para o Beltain

O caudle é uma receita escocesa tradicional, feita normalmente com ovos, aveia e alguma bebida alcoólica, normalmente vinho branco ou cerveja inglesa. O caudle feito para o Beltain, que é a receita abaixo, adiciona leite na composição, mas apesar de ser para o Beltain, pode ser usado em qualquer outro festival ou ocasião, como oferenda, uma bebida ou acompanhamento para alguma sobremesa, como bannocks, por exemplo. Apesar de ser um dos ingredientes principais, eu optei por fazer sem álcool, assim como os temperos também são opcionais.    

Caudle para o Beltain

Caudle usado como oferenda, junto com bannocks.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Superstições do 1º de maio

Fonte: WILDE, Lady Francesca Speranza. “Ancient Legends, Mystic Charms and Superstitions of Ireland.” 1887. Disponível em: <http://www.sacred-texts.com/neu/celt/ali/ali054.htm>. Acesso em: 01 de maio de 2017.

Superstições do 1º de maio

O malmequer-dos-brejos (Caltha palustris) é de grande uso na adivinhação e é chamado de “o arbusto de Beltaine.” Guirlandas para o gado e para os batentes das portas são feitas com essa flor para espantar o poder das fadas. Leite também é derramado na soleira das portas, apesar de ninguém dar leite para outra pessoa, assim como o fogo e o sal – essas três coisas eram sagradas. Existiam muitas superstições associadas com o 1º de maio. Não é seguro ir até corpos hídricos na primeira segunda-feira de maio. Acreditava-se que as lebres encontradas em maio eram bruxas e que deveriam ser apedrejadas.

Imagem relacionada
O malmequer-dos-brejos. (A imagem não faz parte do texto original)

domingo, 30 de abril de 2017

Costumes tradicionais do dia 1º de maio na Irlanda

Fonte: “Traditional May Day Customs in Ireland”, por Clodagh Doyle, no site “Our Irish Heritage”. Disponível em: <http://www.ouririshheritage.org/page_id__131.aspx>. Acesso em: 30 de abril de 2017.

Costumes tradicionais do dia 1º de maio na Irlanda
Por Clodagh Doyle, Curador da Irish Folklife Division

                O 1º de maio, primeiro dia do mês, é um dos dias trimestrais do calendário irlandês tradicional. Cada um desses dias trimestrais indica o início de uma nova estação. A primavera é assinalada no dia 1º de fevereiro (o dia de St. Brigid), o outono no dia 1º de agosto (Lúnasa) e o inverno no dia 1º de novembro (Samhain). Existiam também costumes folclóricos associados com as vésperas desses festivais, marcando a transição sazonal.