segunda-feira, 10 de julho de 2017

A loucura de Suibhne

A loucura de Suibhne
Buile Suibhne

                Quanto à Suibhne, filho de Colman Cuar, rei de Dal Araidhe, nós já contamos como ele ficou vagando e fugindo das batalhas. Aqui está a causa e a ocasião através dos quais estes sintomas e crises de loucura e êxtase se apoderaram dele além de todos os outros, do mesmo modo, o que aconteceu com ele posteriormente.

                Existia um certo nobre e distinto santo patrono na Irlanda: Ronan Finn, filho de Bearach, filho de Criodhan, filho de Earclugh, filho de Ernainne, filho de Urene, filho de Seachnusach, filho de Colum Cuile, filho de Mureadhach, filho de Laoghaire, filho de Niall. Ele era uma homem que cumpria o comando de Deus e carregava o jugo da piedade, e sofria perseguições pelo amor de Deus. Ele era o próprio servo digno de Deus, pois era seu costume crucificar seu corpo pelo amor de Deus e conquistar uma recompensa para sua alma. Um escudo acolhedor contra os ataques malignos do diabo e contra vícios era o gentil, amigável e vigoroso homem.


                Em uma ocasião, ele estava marcando uma igreja chamada Cell Luinne em Dal Araidhe. Naquela época, Suibhne, filho de Colman, de quem já falamos, era o rei de Dal Araidhe. No lugar onde estava, Suibhne escutou o som do sino de Ronan enquanto ele marcava a igreja, e perguntou ao seu povo o que era aquilo que escutava. “É Ronan Finn, filho de Bearach,” disseram eles, “que está marcando uma igreja em sua terra e território, e é o som de seu sino o que tu escutas.” Suibhne ficou grandemente furioso e irritado, e saiu com a máxima velocidade para expulsar o clérigo da igreja. Sua esposa Eorann, filha de Conn de Ciannacht, a fim de segurá-lo, agarrou as franjas do manto carmesim que ele usava, de forma que a fíbula de pura prata branca, puramente ornamentada com ouro, que estava sobre seu peito em seu manto, saltou pela casa. Com isso, deixando seu manto com a rainha, ele saiu nu em sua rápida corrida para expulsar o clérigo da igreja, até alcançar o lugar em que Ronan estava.

                Ele encontrou o clérigo glorificando o Rei do céu e da terra naquela hora, alegremente cantando seus salmos com o seu lindo e revestido saltério em sua frente. Suibhne pegou o saltério e o jogou nas profundezas do lago de água fria que estava perto dele e lá o saltério afundou. Ele então pegou Ronan pela mão e o arrastou para fora da igreja, e não soltou a mão do clérigo até ouvir um grito de alarme. Foi o criado de Congal Claon, filho de Scannlan, que proferiu aquele grito; ele veio do próprio Congal até Suibhne para que ele (Suibhne) se engajasse na batalha em Magh Rath. Quando o criado chegou no lugar da reunião com Suibhne, ele relatou as notícias do início ao fim para ele. Suibhne então foi com o criado e deixou o clérigo triste e infeliz pela perda de seu saltério e pelo desprezo e desonra que tinha sido infligida sobre ele.

                Depois disso, no final de um dia e uma noite, uma lontra que estava no lago foi até Ronan com o saltério, e nem linha ou letra dele tinha sido prejudicada. Ronan deu graças a Deus por aquele milagre e amaldiçoou Suibhne, dizendo: “Que seja a minha vontade, junto com a vontade do poderoso Senhor, que da mesma forma que ele veio nu para me expulsar, que ele possa assim ficar para sempre, nu, vagando e fugindo pelo mundo inteiro; que seja a morte de uma ponta de lança que o leve embora. Mais uma vez minha maldição para Suibhne e minha bênção para Eorann que lutou para segurá-lo; além disso, eu transmito à raça de Colman que a destruição e extinção possa ser sua sina no dia em que verem esse saltério que foi jogado na água por Suibhne.” E ele proferiu essa balada:

Ronan

1. Suibhne, o filho de Colman,
Me ofendeu, ele me arrastou pela mão,
Para me tirar de Cell Luine,
Para que eu me ausentasse.

2. Ele veio até mim em seu rápido curso
Ao escutar o meu sino;
Ele trouxe consigo sua vasta, medonha
Fúria para me expulsar, me banir.

3. Relutante eu estava de sair daqui, do
Lugar onde eu me estabeleci
Apesar de estar relutante, Deus foi
Capaz de prevenir isso.

4. Ele não largou minha mão até
Ouvir o alto grito que disse para ele
‘Venha para a batalha, Domnall
Alcançou a famosa Magh Rath.’

5. Daí o bem veio até mim,
Não até ele, agradeço por isso
Quando as notícias da batalha chegaram
Para ele se juntar ao alto príncipe.

6. De longe ele se aproximou da batalha
Através da qual foram perturbados seu sentido e razão,
Ele vagará por Erin como um completo louco,
E morrerá pela ponta de uma lança.

7. Ele pegou meu saltério,
E o jogou no amplo lago,
Cristo o trouxe para mim sem uma mácula,
De forma que o saltério não ficou pior do que estava.

8. Um dia e uma noite no amplo lago,
E o livro branco e malhado não ficou pior;
Através da vontade do Filho de Deus
Uma lontra me devolveu.

9. Quanto ao saltério que ele pegou em sua mão,
Eu transmito à raça de Colman
Que será ruim para a raça do nobre Colman
O dia em que contemplarem o saltério.

10. Ele veio nu para cá
Para torturar meu coração, me caçar;
Por conta disso Deus fará
Com que Suibhne fique nu para sempre.

11. Eorann, filha de Conn de Ciannacht,
Tentou segurá-lo pelo seu manto;
Minha bênção para Eorann por isso,
E minha maldição em Suibhne.

                Logo a seguir, Ronan foi até Magh Rath para fazer as pazes entre Domnall, filho de Aodh, e Congal Claon, filho de Scannlan, mas não teve sucesso. Porém, o clérigo era levado todo dia como uma garantia entre eles para que ninguém fosse morto da hora em que a luta parasse até a hora dela ser permitida novamente. Suibhne, no entanto, violava a garantia de proteção do clérigo, na medida que em cada paz e trégua que Ronan fazia, Suibhne a quebrava, pois ele matava um homem antes da hora acertada para o combate todo dia e outro homem toda noite quando o combate parava. No dia então acertado para a grande batalha, Suibhne chegou antes do restante.

                Ele apareceu dessa forma: uma transparente camisa de seda estava próxima à sua pele, ao seu redor estava um cinto de cetim real, e também, a túnica que Congal tinha lhe dado no dia que ele matou Oilill Cedach, o rei dos Ui Faolain, em Magh Rath; a túnica carmesim era de uma única cor com uma minuciosa e bem tecida borda de um belo e refinado ouro colocado com fileiras de nobres gemas de carbúnculo de uma extremidade à outra, tendo nela laços de seda sobre os belos e brilhantes botões para prendê-la e abri-la, com uma variegação de pura prata branca em cada caminho e trajeto que ele seguia; havia uma franja de linhas finas e firmes naquela túnica. Em suas mãos estavam duas lanças muito longas e (calçadas) com ferro forte, um escudo familiar salpicado com amarelo estava em suas costas e uma espada com o cabo de ouro em seu lado esquerdo.

                Assim ele marchou até encontrar Ronan com oito salmistas de sua comunidade borrifando água benta nas tropas, e eles borrifaram também em Suibhne como fizeram com os outros. Pensando que a água tinha sido borrifada para zombar dele, ele colocou seu dedo no fio da lança rebitada que estava em sua mão e a arremessou em um dos salmitas de Ronan, matando-o com um único golpe. Ele fez outro arremesso com o dardo afiado e pontudo no próprio clérigo, de forma que o dardo perfurou o sino que estava em seu peito e o corpo do dado saltou no ar, onde o clérigo disse: “Eu oro para o poderoso Senhor para que tão alto no ar e entre as nuvens do Céu como foi o cabo da lança, que tu vás como qualquer pássaro, e que a morte que tu infligiste em meu filho adotivo seja aquela que te levará embora – a morte da ponta de uma lança; minha maldição em ti e minha bênção em Eorann; (Eu invoco) Uradhran e Telle ao meu lado contra sua prole e os descendentes de Colman Cuar.” E ele disse:

Ronan

1. Minha maldição em Suibhne!
Grande é seu crime contra mim,
Seu polido, vigoroso
Dardo ele empurrou através de meu santo sino.

2. Este sino que tu perfuraste
Te enviará para entre os galhos,
Para que tu fique como os pássaros –
O sino dos santos diante dos santos.

3. Como em um instante foi
O cabo da lança para o alto,
Que tu possas ir, ó Suibhne,
Em loucura, sem descanso!

4. Tu mataste meu filho adotivo,
Tu avermelhaste tua lança nele,
Tu terás em troca disso
Que com a ponta de uma lança tu morras.

5. Se se opor a mim
A prole de Eoghan com robustez
Uradhran e Telle enviará-los para a decadência.

6. Uradhran e Telle
Os enviou para a decadência,
Esse é meu desejo para todo tempo:
Minha maldição contigo!

7. Minha bênção em Eorann!
Nobre Eorann sem decadência.
Inteiramente sofrimento, sem descanso,
Minha maldição em Suibhne!

                Depois disso, quando ambas as tropas da batalha se encontraram, o vasto exército de ambos os lados rugiram como um rebanho de veados, proferindo três altos e poderosos gritos. Quando Suibhne escutou esses grandes gritos junto com seus sons e as reverberações nas nuvens do Céu e na abóboda do firmamento, ele olhou para cima, e foi quando a turbulência (?), escuridão, fúria, vertigem, loucura, êxtase, instabilidade, inquietação e desassossego o preencheram, tal como o desprezo por todos os lugares que ele costumava ficar e o desejo por todos os lugares que ele não tinha ido. Seus dedos estavam paralizados, seus pés tremiam, seu coração batia rápido, seus sentidos foram subjugados, sua visão foi distorcida, suas armas caíram descobertas de suas mãos, e então através da maldição de Ronan, ele seguiu como qualquer pássado do céu, em loucura e imbecilidade.

                Agora, no entanto, quando ele saiu da batalha, raras eram as vezes que seus pés tocavam o chão devido à rapidez de seu curso, e quando seus pés tocavam, ele não balançava o orvalho do topo da grama pela leveza e rapidez de seu passo. Ele não parou em seu precipitado curso até deixar planície, campo, montanha despida, pântano, matagal, atoleiro, colina, vale ou bosque de abrigo denso na Irlanda que não tinha viajado aquele dia, até alcançar Ros Bearaigh, em Glenn Earcain, onde foi até o teixo que estava naquele vale.

                Domnall, filho de Aedh, venceu a batalha aquele dia, conforme já narramos. Suibhne tinha um parente na batalha – Aongus o Robusto, filho de Ardgal, filho de Macnia, filho de Ninnidh, das tribos de Ui Ninnedha de Dal Araidhe. Ele saiu da batalha com um número de seu povo e a rota que tomou passava por Glenn Earcain. Ele e seu povo estavam conversando sobre Suibhne (dizendo) o quão estranho era que eles não tivessem o visto vivo ou morto após as tropas da batalha terem se encontrado. No entanto, eles tinham certeza que era devido à maldição de Ronan que não haviam tido notícias de seu destino. Suibhne, que estava no teixo, escutou enquanto eles falavam e disse:

Suibhne

1. Ó guerreiros, venham para cá,
Ó homens de Dal Araidhe,
Vós encontrareis na árvore na qual está
O homem que vós procurais.

2. Deus me concedeu aqui
A vida bem despida, bem limitada,
Sem musica e sem um sono repousante,
Sem mulheres, sem encontros.

3. Aqui em Ros Bearaigh estou,
Ronan me deixou sob a desgraça,
Deus me separou de minha forma,
Vós não me conheceis mais, ó guerreiros.

                Quando os homens ouviram Suibhne recitando os versos, eles o reconheceram e o incitaram para confiar neles. Ele disse que jamais faria isso. Então, enquanto eles estavam rodeando a árvore, Suibhne desceu dela muito levemente e rapidamente (e foi) até Cell Riagain em Tir Conaill, onde se empoleirou na antiga árvore da igreja. Aconteceu dessa ser a árvore que Domnall, filho de Aedh, e seu exército estavam após a batalha, e quando viram um louco se aproximando da ávore, uma porção do exército veio e a bloqueou em volta. Logo a seguir, eles começaram a descrever o louco em voz alta; um homem dizia que era uma mulher, outro homem dizia que era um homem, até o próprio Domnall o reconhecer e dizer: “É Suibhne, o rei de Dal Araidhe, aquele que Ronan amaldiçoou no dia que a batalha foi travada. Bom, de fato, é homem que está ali,” disse ele, “e se ele desejasse tesouros e riquezas, ele os obteria apenas se confiasse em nós. Isto é triste para mim,” disse ele, “que o restante do povo de Congal está assim, pois bons e grandes eram os laços que me ligavam a Congal antes de me comprometer com a batalha, e além disso, bom foi o conselho de Colum Cille para aquele mesmo jovem quando foi até Congal pedir um exército do rei de Alba contra mim.” Logo em seguir, Domnall proferiu a balada.

Domhnall

1. O que aconteceu, ó esbelto Suibhne?
Tu eras o líder de muitas tropas;
No dia em que a inquieta batalha foi travada
Em Magh Rath, tu foras o mais adorável.

2. Como o carmesim ou como o belo ouro
Era teu nobre semblante após o festejo,
Como uma descida ou como fitas de madeira
Era o impecável cabelo de tua cabeça.

3. Como a neve fria de uma única noite
Era sempre o aspecto de teu corpo;
De cor azul era teu olho, como um cristal,
Como o liso e belo gelo.

4. Encantadora era a forma de teus pés,
Me parece que tua chefia não foi poderosa;
Tuas afortunadas armas – elas podiam tirar sangue –
Eram rápidas no ferimento.

5. Colum Cille te ofereceu
O Céu e o reinado, ó esplêndido jovem,
Ansiosamente (?) tu vieste para a planície
Do profeta chefe do Céu e da terra.

6. Disse Colum Cille,
O firme profeta da verdade,
‘Assim como muitos de vocês vieram sobre o forte dilúvio,
Não retornarão todos de Erin.’

7. Eu ofereci à Congal Claon
Quando estávamos juntos
A bênção de todos os homens de Erin;
Grande foi a multa por um ovo.

8. Se tu não aceitarás isto de mim,
Ó nobre Congal, filho de Scannal,
Que julgamentos então – façanha do grande momento –
Tu passarás sobre mim?

Congal

9. (Estes) eu aceitarei de ti se tu os julga bem;
Dás-me teus dois filhos,
Tua mão de ti, como tua majestosa esposa,
Tua filha e teu olho de estrelas azuis.

Domhnall

10. Tu não terás, apenas lança com lança,
Estarei sempre esperando por tu,
Esta é a nossa fala sobre o cativeiro;
Tomas a minha maldição inteira!

11. Teu corpo será um banquete para as aves de rapinas,
Corvos estarão em teu pesado silêncio,
Uma feroz e negra lança irás te ferir,
E tu deitarás em tuas costas, desamparado.

12. Minha desgraça de terra em terra
Tu estarás sozinho além dos outros reis,
Ainda que eu tenhas feito amizade contigo
Desde o dia que tua mãe lhe trouxe ao mundo.

13. Lá a batalha será travada –
No lugar em Magh Rath –
Haverá uma gota na reluzente espada;
Então caiu Congal Claon.

                Quando Suibhne escutou o grito da multidão e o tumulto do grande exército, ele subiu pela árvore em direção às nuvens de chuva do firmamento, sobre os cumes de todos os lugares e sobre as traves horizontais1 de todas as terras. Por um longo tempo subsequente ele esteve (vagando) pela Irlanda, visitando e procurado em cada fissura dura e rochosa e em galhos espessos de altas heras, em estreitas cavidades das rochas, de estuário a estuário, de pico a pico, de vale a vale, até alcançar o encantador Glen Bolcain. Era para lá que os loucos da Irlanda costumavam ir quando seu ano na loucura se completava, pois o vale sempre foi um lugar de grande deleite para os loucos. Pois Glen Bolcain era dessa forma: tinha quatro aberturas para o vento, além de um bosque muito belo e agradável, poços e fontes frescas de margens limpas, rios arenosos e de água pura, agrião de topos verdes e becabungas2 tortas e longas em sua superfície. Muitas também eram suas azedas3, oxalises4, suas lus-bian e suas biorragan, suas bagas, seus alhos selvagens, seus melle, seus miodhbhun, seus abrunhos negros e suas bolotas marrons. Os loucos, ademais, costumavam pisar em todas as outras para colher o agrião daquele vale, pois era a escolha para suas camas.

                Suibhne também permaneceu naquele vale por um longo tempo, até uma noite ele se encontrar na copa de um pilriteiro coberto de hera que ficava naquele vale. Foi difícil para ele suportar aquela cama, pois cada vez que ele virava, uma chuva de espinhos do pilriteiro o espetava, de forma que perfurava seu corpo, ferindo sua pele. Por isso, Suibhne então saiu daquela cama e foi para outro lugar, onde havia um denso matagal de amora-preta com espinhos finos e um único galho saindo do abrunheiro que crescia sozinho entre o matagal. Suibhne foi para a copa daquela árvore, mas de tão fina que era, a árvore se curvou debaixo dele fazendo-o cair pesadamente através do matagal até o chão, e não havia nem uma polegada de seu orifício até a coroa de sua cabeça que não estava ferida ou ensanguentada. Ele então se levantou, fraco e débil, e saiu do matagal, dizendo: “Minha consciência!” disse ele, “é duro suportar esta vida após ter tido uma agradável, e de um ano até a noite passada eu estive vivendo essa vida.” Depois disso, ele proferiu a balada.

Suibhne

1. Um ano até a noite passada
Eu estive entre a escuridão dos galhos,
Entre chuvarada e vazante,
Sem uma coberta em minha volta.

2. Sem um travesseiro debaixo de minha cabeça,
Entre os nobres filhos dos homens;
Há perigo para nós, ó Deus,
Sem espada, sem lança.

3. Sem a companhia de mulheres;
Salvo a becabunga dos bandos de guerreiros –
Uma pura e fresca refeição –
O agrião é nosso desejo.

4. Sem uma pilhagem com um rei,
Estou sozinho em meu lar,
Sem saques gloriosos,
Sem amigos, sem música.

5. Sem sono, ai!
Que a verdade seja dita,
Sem ajuda por um longo tempo,
Difícil é a minha sina.

6. Sem uma casa corretamente cheia,
Sem a conversa de homens generosos,
Sem o título de rei,
Sem bebida, sem comida.

7. Ai de mim por eu ter deixado
Minha poderosa e armada tropa,
Um amargo louco no vale,
Destituído de sentido e razão.

8. Sem estar em um circuito real,
Mas correndo ao longo de cada caminho;
Esta é a grande loucura,
Rei do Céu dos santos.

9. Sem talentosos músicos,
Sem a conversa de mulheres,
Sem concessão de tesouros;
Isto causou a minha morte, ó venerado Cristo.

10. Embora eu esteja como estou esta noite,
Houve uma época
Na qual minha força não era débil
Sobre uma terra que não era má.

11. Em esplêndidos corcéis,
Em vida sem tristeza,
Em meu auspicioso reinado
Eu fui um bom e grande rei.

12. Depois disso, estou como estou
Por ter te traído, ó venerado Cristo!
Um pobre miserável eu sou, sem poder,
No vale da brilhante Bolcan.

13. O pilriteiro que não tem a copa suave
Me venceu, me furou;
O marrom mato de espinhos
Quase causou minha morte.

14. A batalha de Congal com fama,
Para nós foi duplamente lamentável;
Na terça-feira foi a nossa derrota;
Mais numerosos foram nossos mortos que nossos vivos.

15. Vagando na verdade,
Apesar de ter sido nobre e gentil,
Tenho ficado triste e miserável
Um ano até a noite passada.

                Ele permaneceu em Glen Bolcain dessa forma até uma certa época em que ele se levantou (no ar) e foi até Cluain Cille na fronteira de Tir Conaill e Tir Boghaine. Ele então foi para as margens do poço onde conseguiu comida para aquela noite, agrião e água. Depois disso, ele foi até a velha árvore da igreja. O erenach5 da igreja era Faibhen da família de Bruglach, filho de Deaghadh. Naquela noite houve uma grande tempestade cujo tamanho afetou grandemente a miséria da noite de Suibhne, que disse: “Triste, de fato, é eu não ter sido morto em Magh Rath para que eu não encontrasse essa dificuldade.” Depois disso, ele proferiu essa balada.

Suibhne

1. Fria é a neve desta noite,
A neve duradoura é minha pobreza,
Não há força em mim para lutar,
A fome me machucou, louco estou.

2. Todos os homens vêem que não sou formoso,
Sem fios está minha esfarrapada roupa,
Suibhne de Ros Earcain é meu nome,
O doido homem louco eu sou.

3. Eu não descanso quando a noite vem,
Meus pés não frequentam estradas pisadas,
Não ficarei aqui por muito tempo,
Os laços do terror estão sobre mim.

4. Meu objetivo está além do continente frutífero,
Viajar no mar cheio de proas;
O medo se apoderou de minha pobre força,
Eu sou o louco de Glen Bolcain.

5. O vento congelante está me dilacerando,
A neve já me feriu,
A tempestade me leva para a morte
Dos galhos de cada árvore.

6. Galhos cinzas me machucaram,
Eles espetaram minhas mãos;
As amoras-pretas não deixaram
Fazer um cinto para meus pés.

7. Há uma paralisia em minhas mãos,
Por toda parte há o motivo de confusão,
De Sliabh Mis até Sliabh Cuillenn,
De Sliabh Cuillen até Cuailnge.

8. Para sempre triste será o meu choro,
No cume de Cruachan Aighle,
De Glen Bolcain até Islay,
De Cenn Tire até Boirche.

9. Pequena é minha porção quando o dia chega,
Ele não vem como um novo e correto dia (?),
Uma relva de agrião de Cluain Cille
Com a flor de cuco6 de Cell Cua.

10. Aquele que está em Ros Earcach,
Não sofrerá problema ou maldade;
Isso me deixa fraco
Por estar nu e na neve.

                Suibhne então seguiu até chegar na igreja em Snamh Dha En no Shannon, que agora é chamada de Cluain Boirenn; ele chegou lá em uma sexta-feira, para ser mais preciso. Os clérigos da igreja estavam então cumprindo o ofício das nonas; as mulheres estavam maçando o linho7 e uma estava dando a luz à uma criança. “Não é adequado, na verdade,” disse Suibhne, “as mulheres violarem o dia de jejum do Senhor; como as mulheres maçam o linho,” disse ele, “meu povo foi maçado na batalha de Magh Rath.” Ele então escutou o sino repicando e disse: “Mais doce para mim, de fato, era escutar as vozes dos cucos nas margens do Bann em todos os lados do que o grig-graig desse sino que escuto essa noite.” Ele proferiu a balada.

Suibhne

1. Mais doce para mim sobre as ondas –
Apesar de minhas garras estarem fracas esta noite –
Que o ­grig-graig do sino da igreja,
É o canto do cuco de Bann.

2. Ó mulher, não pairas tu
Em uma sexta-feira,
O dia no qual Suibhne Geilt não come
Por amor ao Rei da justiça.

3. Como as mulheres maçam o linho –
Isso é verdade, apesar de eu ser ouvido –
Da mesma forma meu povo foi maçado
Na batalha de Magh Rath.

4. De Loch Diolair da falésia
Até Derry Coluim Cille
Não foi uma luta o que eu escutei,
Dos esplêndidos e melodiosos cisnes.

5. O bramido do veado do ermo acima das falésias
Em Siodhmuine Glinne –
Não há música na terra
Em minha alma, apenas sua doçura.

6. Ó Cristo, ó Cristo, me escuta!
Ó Cristo, ó Cristo, sem pecado!
Ó Cristo, ó Cristo, me ame!
Não me separe de sua doçura!

                Pela manhã, Suibhne foi até Cell Derfile, onde se alimentou com o agrião do poço e com a água que estava na igreja; houve uma grande tempestade naquela noite, e uma excessiva dor e tristeza se apoderou de Suibhne pela miséria de sua vida; e além disso, estar ausente de Dal Araidhe foi a causa de sua dor e tristeza, e por isso, ele proferiu esses versos:

Suibhne

1. Minha noite em Cell Derfile
Isso partiu meu coração;
Triste para mim, ó Filho de meu Deus,
É deixar Dal Araidhe.

2. Mil e dez guerreiros,
Esta era minha tropa em Druim Fraoch,
Apesar de eu estar sem força, ó Filho de Deus,
Era eu seu líder no conselho.

3. Escura é minha noite esta noite
Sem um criado, sem acampamento;
Minha noite em Druim Damh não era assim,
Eu, Faolchu e Congal.

4. Que pena que fui detido pelo encontro,
Ó meu Príncipe do glorioso Reinado!
Embora eu não devesse receber nenhum dano por isso
Para sempre, exceto por essa noite.

                Por sete anos inteiros Suibhne vagou pela Irlanda, de ponto a ponto, até chegar em Glen Bolcain uma noite, pois era lá que ficava sua fortaleza e sua moradia, e era mais agradável para ele ficar e habitar lá do que qualquer outro lugar da Irlanda, pois para lá ele ia, saindo de cada parte da Irlanda, e ele não deixaria o lugar exceto por medo e terror. Suibhne ficou lá naquela noite e na manhã do dia seguinte Loingseachan veio procurá-lo. Alguns dizem que Loingseachan era o filho da mãe de Suibhne, outros dizem que ele era um irmão adotivo, mas o que quer que ele era, sua consideração por Suibhne era grande, pois ele (Suibhne) saiu na loucura três vezes e três vezes ele o trouxe de volta. Nessa hora, Loingseachan estava procurando por ele no vale e encontrou a pegada de seus pés na margem do rio onde ele estava acostumado a comer agrião. Ele encontrou também os galhos que quebravam sob seus pés quando ele mudava de uma copa para outra. Naquele dia, no entanto, ele não encontrou o louco, então foi até uma casa abandonada no vale e lá caiu em um sono profundo após o grande trabalho da busca de Suibhne a quem ele estava procurando. Suibhne então seguiu seu rastro e alcançou a casa, na qual ouviu o ronco de Loingseachan. Depois disso, ele proferiu essa balada.

Suibhne

1. O homem ronca perto da parede,
Não ouso dormir assim;
Por sete anos desde a terça-feira em Magh Rath
Eu não dormi por um piscar de olhos.

2. Ó Deus do Céu! Que eu não tivesse ido
Para a feroz batalha!
Depois disso Suibhne Geilt foi meu nome,
Sozinho no topo da hera.

3. O agrião do poço de Druim Cirb
É minha refeição na terça hora do dia;
Em minha face pode ser reconhecida sua matiz,
Isto é verdade, eu sou Suibhne Geilt.

4. Com certeza eu sou Suibhne Geilt,
Aquele que dorme sob o abrigo de um farrapo,
Acima de Sliabh Liag se (...)
Esses homens me perseguirem.

5. Quando eu era Suibhne o Sábio,
Eu costumava viver em uma solitária cabana9,
Em uma terra junçosa, em um atoleiro, em uma encosta;
Eu troquei meu lar por uma terra distante.

6. Eu agradeço ao Rei acima
Com quem grande severidade não é comum;
Foi a extensão de minha injustiça
Que mudou minha aparência.

7. Frio, é frio para mim
Uma vez que meu corpo não vive nos arbustos de hera,
Muita chuva vem sobre eles,
E muito trovão.

8. Apesar de eu viver de colina em colina
Na montanha acima do vale de teixo;
No lugar onde Congal Claon foi deixado
Que pena que eu não tenha sido deixado lá sobre as minhas costas!

9. Meu gemido é frequente,
Distante de meu cemitério está minha casa aberta;
Não sou um campeão, mas um louco necessitado,
Deus me atravessou em farrapos, sem sentido.

10. É uma grande insensatez
Para mim, sair de Glen Bolcain,
Há muitas macieiras em Glen Bolcain
Para (...) de minha cabeça.

11. Verde agrião
E um gole de água pura,
Eu me alimento deles, eu não sorrio,
Não é assim com o homem perto da parede.

12. No verão entre as garças de Cuailgne,
Entre matilhas de lobos quando o inverno chega,
Em outras vezes, sob a coroa de um bosque;
Não é assim com o homem perto da parede.

13. Feliz Glen Bolcain,
Enfrentando o vento, ao redor do qual os loucos do vale chamam,
Ai de mim! Eu não durmo lá;

Sou mais miserável que o homem perto da parede. 

                Depois dessa balada, ele foi na noite seguinte até o moinho de Loingseachan, que estava sendo vigiado por uma velha, Lonnog, a filha de Dubh Dithribh, a mãe da esposa de Loingseachan. Suibhne foi até ela na casa e ela lhe deu pequenos bocados de comida, e por muito tempo, ele visitava o moinho dessa forma. Um dia, Loingseachan foi até ele quando o viu perto do rio do moinho e foi falar com a velha mulher, que é a mãe de sua esposa, Lonnog. “Suibhne veio até o moinho, mulher?” perguntou Loingseachan. “Ele estava aqui na noite passada,” disse a mulher. Loingseachan então colocou as vestes da mulher e permaneceu no moinho; naquela noite, Suibhne foi até o moinho e reconheceu Loingseachan. Quando ele viu seus olhos, ele saltou de uma vez pela clarabóia da casa, dizendo: “Lamentável é sua perseguição, Loingseachan, me caçando em meu lugar e em outros lugares queridos para mim na Irlanda; e como Ronan não me permitiu confiar em você, é cansativo e inoportuno que você me siga.” Ele fez esta balada:

Suibhne

1. Ó Loingseachan, tu és irritante,
Não tenho ócio para falar contigo,
Ronan não me deixou confiar em ti;
Foi ele que me colocou nessa triste situação difícil.

2. Eu fiz um infeliz arremesso
Do meio da batalha, em Ronan;
Acertou o precioso sino
Que estava no peito do clérigo.

3. Quando eu fiz o esplêndido arremesso
Do meio da batalha, em Ronan,
O nobre clérigo disse: ‘Tens a permissão
Para ir com os pássaros.’

4. Depois disso eu saltei
Para o ar acima;
Em vida eu nunca teria saltado
Um único salto mais leve.

5. Foi na gloriosa manhã,
Na terça-feira seguindo a segunda-feira,
Ninguém estaria mais orgulhoso que eu
Ao lado de um guerreiro do meu povo.

6. Uma maravilha para mim é isso que vejo,
Ó tu que moldaste esse dia;
As vestes de mulher no chão,
Os dois olhos penetrantes de Loingseachan.

                “Triste é a desgraça que tu farias comigo, Loingseachan,” disse ele, “e não continues a me perturbar mais, mas vá para sua casa e eu irei até Eorann.”

                Eorann naquela época estava morando com Guaire, filho de Congal, filho de Scannlan, pois Eorann era a esposa de Suibhne, pois existiam dois compatriotas na região que tinham títulos iguais para a soberania que Suibhne tinha abandonado: Guaire, filho de Congal, filho de Scannlan, e Eochaid, filho de Condlo, filho de Scannlan. Suibhne foi até o lugar onde Eorann estava. Guaire tinha saído para caçar naquele dia, e a rota que ele fez passava por Sliabh Fuaid, por Sgirig Cinn Glinne e por Ettan Tairbh. Seu acampamento estava ao lado de Glen Bolcain – que é chamado de Glen Chiach nos dias de hoje – na planície de Cinel Ainmirech. O louco então se sentou na verga da cabana onde Eorann estava e disse: “Tu lembras, senhora, o grande amor que demos um ao outro na época que estivemos juntos? Fácil e agradável é para ti agora, mas nem tanto para mim.” Depois disso, Suibhne disse e Eorann respondeu (o que se segue):

Suibhne

1. Tu estás no conforto, brilhante Eorann,
Na cama ao lado de teu amado;
Comigo aqui nem tanto,
Por muito tempo eu estive inquieto.

2. Um dia tu proferiste, ó grande Eorann,
Um provérbio agradável e brilhante,
Que tu não sobreviverias
Um dia longe de Suibhne.

3. Hoje, é bastante visível,
Que tu pensas pouco de teu velho amigo;
Para ti, o calor de uma cama agradável,
Para mim, o frio externo até a manhã.

Eorann

4. Seja bem-vindo, seu louco sincero!
Tu és o mais bem-vindo de todos os homens da terra;
Apesar de eu estar no conforto, meu corpo está devastado
Desde o dia que ouvi falar de tua ruína.

Suibhne

5. Mais bem-vindo para ti é o filho do rei
Que te leva para o banquete sem tristeza;
Ele é o teu amado escolhido;
Tu não procuras o teu velho amigo.

Eorann

6. Embora o filho do rei tenha me conduzido
Para alegres salões de banquete,
Eu teria um sono alegre em uma pequena fenda na árvore
Ao teu lado, meu marido, se eu pudesse.

7. Se fosse me dado minha escolha
Dos homens de Erin e Alban,
Eu teria uma alegre e pura casa contigo
Na água e no agrião.

Suibhne

8. Não é um caminho para uma amada senhora,
Este que Suibhne faz aqui no caminho do esmero;
Frias são minhas camas em Ard Abhla,
Minhas moradas frias não são poucas.

9. O mais adequado para ti é conceder amor e afeição
Apenas para o homem com quem estás
Ao invés de um grosseiro e esfomeado louco,
Horrível, medonho e nu.

Eorann

10. Ó louco da labuta, a minha dor é
Que tu estejas incômodo e abatido;
Eu choro pela tua pele que perdeu sua cor,
Amoreiras e espinhos te rasgam.

Suibhne

11. Não te culpo por isso,
Tu, gentil e radiante mulher;
Cristo, o Filho de Maria – grande servidão –
Ele causou minha debilidade.

Eorann

12. Ficaria feliz se estivéssemos juntos,
E que penas pudessem crescer em nossos corpos;
Na luz e na escuridão eu vagaria
Contigo cada dia e cada noite.

Suibhne

13. Uma noite eu estava na agradável Boirche,
Eu alcancei a adorável Tuath Inbhir,
Eu vaguei por Magh Fail,
Eu cheguei em Celi Ui Suanaigh.

                Depois que ele terminou, não demorou muito até o exército enxamear o acampamento de todos os quarteirões, e imediatamente ele saiu em sua impetuosa fuga como frequentemente fazia. Ele não parou em sua corrida até antes do cair da noite ele chegar em Ros Bearaigh – a primeira igreja na qual ele ficou após a batalha de Magh Rath – e foi até o teixo que estava na igreja.

                Muireadach mac Earca era o erenach da igreja na época. Aconteceu de sua esposa passar pelo teixo, quando viu o louco nele; ela reconheceu que era Suibhne e disse: “Saia do teixo, rei de Dal Araidhe; não há ninguém além de uma mulher diante de ti aqui.” Ela disse isso a fim de prender o louco e para enganá-lo e ludibriá-lo. “De fato não irei,” disse Suibhne, “a menos que Loingseachan e sua esposa venham até mim, pois houve uma época em que teria sido mais fácil para tu me reconhecer do que hoje.” Após isso, ele proferiu esses versos:

Suibhne

1. Ó mulher, quem me reconhece
Com as pontas de teus olhos azuis,
Houve uma época quando meu aspecto era melhor
Na assembléia de Dal Araidhe.

2. Eu mudei de forma e cor
Desde a hora que saí da batalha;
Eu fui o esbelto Suibhne
Do qual os homens da Irlanda tinham escutado.

3. Fique tu com teu marido em tua casa,
Não demorarei em Ros Bearaigh;
Até o Julgamento sagrado nós não nos reuniremos,
Eu e você, ó mulher.

                Ele então saiu da árvore rápido e velozmente e seguiu seu caminho até chegar na velha árvore de Ros Earcain. (Pois ele tinha três moradas em sua própria província na qual ele desejava morar: Teach mic Ninnedha, Cluain Creamha e Ros Earcain). Depois disso, ele permaneceu no teixo sem ser percebido por um mês e uma quinzena, mas depois, seu lugar e sua morada foram descobertos e os nobres de Dal Araidhe se aconselharam para decidir quem iria prendê-lo. Todos disseram que Loingseachan deveria ser enviado. Loingseachan aceitou a tarefa e foi até o teixo no qual Suibhne estava, e depois disso, ele viu o homem no galho acima dele. “É triste, ó Suibhne,” disse ele, “que seu último estado seja assim, sem comida, sem bebida, sem vestimentas, como qualquer pássaro no ar, após ter estado em vestes de seda e cetim em esplêndidos cavalos de terras estrangeiras com incomparáveis rédeas; contigo ficavam mulheres gentis e adoráveis, e também muitos jovens, cães-de-caça e o bom povo de todas as artes; muitas tropas, muitos e diversos nobres, chefes e jovens senhores, donos de terra e hospitaleiros estavam ao seu comando. Muitas taças, cálices e esculpidos chifres de búfalo para licores agradáveis e de sabores aprazíveis também eram teus. É muito triste para ti ficar nessa forma como qualquer pássaro miserável indo de ermo a ermo.” “Pare agora, Loingseachan,” disse Suibhne, “isto é o que nos foi destinado; mas tu tens notícias para mim de meu país?” “Na verdade tenho,” disse Loingseachan, “pois seu pai está morto.” “Isto é pegou (...),” disse ele. “Sua mãe também está morta,” disse o jovem. “Agora, toda pena para mim está no fim,” disse ele. “Morto está seu irmão,” disse Loingseachan. “Uma parte de mim se perdeu por isso,” disse Suibhne. “Morta está sua filha,” disse Loingseachan. “A agulha no coração é uma filha única,” disse Suibhne. “Morto está seu filho que costumava te chamar de ‘papai’,” disse Loingseachan. “Verdade,” disse ele, “esta é a gota (?) que deixa um homem no chão.” Depois disso, eles – Suibhne e Loingseachan – proferiram esta balada entre si:

Loingseachan

1. Ó Suibhne da elevada Sliabh na nEach,
Tu da lâmina áspera foste dado ao sofrimento;
Pelo amor de Deus, que te colocou na servidão,
Permite a conversa com teu irmão adotivo.

2. Ouça-me se tu me escutas,
Ó rei esplêndido, ó grande príncipe,
Para que possa gentilmente relatar
Para ti, as notícias de tua boa terra.

3. Não há vida para ninguém em tua terra além de ti;
Eu vim para contar isso;
Lá está morto teu renomado irmão,
Morto está teu pai, morta está tua mãe.

Suibhne

4. Se minha gentil mãe está morta,
Para mim é mais difícil ir para minha terra;
Por muito tempo ela amou meu corpo;
Ela parou de lamentar por mim.

5. Tolo é o conselho de cada jovem selvagem
Cujos senhores não vivem;
Como um galho curvado sob as nozes;
Quem quer que não tenha um irmão tem uma parte em falta.

Loingseachan

6. Há outra calamidade lá
Que é lamentada pelos homens de Erin,
Apesar de rude ser teu corpo e teus pés,
Morta está tua nobre esposa pela tristeza por ti.

Suibhne

7. Para uma família, estar sem uma esposa
É remar um barco sem leme,
É uma roupa de penas para a pele,
É acender um único fogo.

Loingseachan

8. Eu escutei um medonho e ruidoso conto
Ao redor do qual houve um claro e feroz lamento,
Isto é um punho ao redor da fumaça10, no entanto,
Tu estás sem irmã, ó Suibhne.

Suibhne

9. Um provérbio é isso, amargo o
[...] –
Não há prazer para mim –
O brando sol descansa em cada fosso,
Uma irmã ama apesar de não ser amada.

Loingseachan

10. Bezerros não são deixados para as vacas
Entre nós na fria Araidhe
Desde que tua gentil filha, que te amou, morreu,
Da mesma forma que o filho de tua irmã.

Suibhne

11. O filho da minha irmã e meu cão-de-caça,
Eles não me abandonariam por riqueza
Isso adiciona perda à tristeza,
A agulha do coração é uma filha única.

Loingseachan

12. Há outra história famosa –
Relutante estou em contá-la –
Com satisfação estão os homens de Arada
Na lamentação de teu único filho.

Suibhne

13. Esta é uma gota (?) renomada
Que derruba um homem no chão,
Que seu pequeno filho que lhe chamava de ‘papai’
Esteja sem vida.

14. Isso me tirou da árvore para ir até você,
Eu mal causei inimizade,
Eu não posso suportar esse golpe
Desde que escutei as notícias de meu único filho.

Loingseachan

15. Desde que vieste, ó esplêndido guerreiro,
Nas mãos de Loingseachan,
Todo o teu povo está vivo,
Ó rebento de Eochu Salbuidhe.

16. Fique quieto, deixe teu sentido chegar,
No leste está tua casa, não no oeste,
Distante de tua terra tu viestes para cá,
Esta é a verdade, ó Suibhne.

17. Tu julgas ser mais agradável estar entre os cervos
Nos bosques e florestas
Do que dormir em tua fortaleza no leste
Em uma cama de descanso.

18. Tu julgas ser melhor ficar em um galho de azevinho
Ao lado da lagoa de um rápido moinho
Do que estar em uma companhia excelente
Com jovens companheiros em sua volta.

19. Se tu dormisses no seio de colinas11,
Ao som de suaves cordas de alaúdes,
Tu julgarias mais doce, debaixo de um bosque de carvalho,
O bramir de um veado marrom da manada.

20. Tu és mais ligeiro que o vento através do vale,
Tu és o famoso louco de Erin,
Brilhante em tua beleza, venha cá,
Ó Suibhne, tu foste um nobre campeão.

                Quando Suibhne escutou as notícias de seu único filho, ele caiu do teixo e Loingseachan fechou seus braços em sua volta e colocou algemas nele. Ele então lhe contou que todo o seu povo estava vivo e o levou até o lugar onde os nobres de Dal Araidhe estavam. Eles trouxeram grilhões e cadeados com eles para colocar em Suibhne, e Loingseachan ficou encarregado de ficar com ele por um mês e uma quinzena. Ele levou Suibhne embora e os nobres da província ficavam indo e vindo durante esse tempo, no qual em seu final, Suibhne recuperou seu sentido e memória, tal como sua própria forma e aparência. Eles tiraram os grilhões dele e sua realeza ficou evidente. A época da colheita então chegou e um dia, Loingseachan foi colher com seu povo. Suibhne foi colocado no quarto de Loingseachan após seus grilhões terem sido retirados dele e seu sentido ter voltado. O quarto foi fechado e ninguém foi deixado com ele lá, exceto a bruxa do moinho, que recebeu ordens de não tentar falar com ele. No entanto, ela falou, perguntando-lhe para contar algumas de suas aventuras enquanto ele estava louco. “Uma maldição para sua boca, bruxa!” disse Suibhne, “impróprio é o que dizes; Deus não me fará sofrer me deixando louco novamente.” “Eu sei bem,” disse a bruxa, “que foi o ultraje feito para Ronan que te deixou louco.” “Ó mulher,” disse ele, “é odioso que estejas me atraiçoando e me tentando.” “Não é atraiçoamento, mas a verdade,” e Suibhne disse:

Suibhne

1. Ó bruxa daquele moinho,
Por que deves tu extraviar-me?
Não é traiçoeiro para ti, através de mulheres,
Que eu deva ser atraiçoado e tentado?

A bruxa

2. Não foi eu que te atraiçoei,
Ó Suibhne, embora tua fama seja nobre,
Mas os milagres de Ronan do Céu
Que te levou a loucura entre os loucos.

Suibhne

3. Foi eu e teria sido eu,
Que foi o rei de Dal Araidhe
Isto foi uma razão para um golpe no queixo;
Tu não terás uma festa, ó bruxa.

                “Ó bruxa,” disse ele, “muitas foram as dificuldades que encontrei se você soubesse; muitos medonhos saltos eu dei de colina em colina, de fortaleza em fortaleza, de terra em terra, de vale em vale.” “Pelo amor de Deus,” disse a bruxa, “salte para nós agora um dos saltos que tu costumava saltar quando eras louco.” Logo a seguir, ele pulou sobre a grade da cama de forma que alcançou o final de um banco. “Minha consciência!” disse a ruxa, “eu consigo saltar,” e ela fez isso da mesma maneira. Ele fez outro salto através da clarabóia da hospedaria. Este, no entanto, é um sumário do salto: Suibhne viajou através dos cinco cantreds12 de Dal Araidhe naquele dia até chegar em Glenn na nEachtach em Fiodh Gaibhle, e ela o seguiu por todo aquele tempo. Quando Suibhne descansou lá no topo de um alto ramo de hera, a bruxa descansou em outra árvore ao seu lado. Este foi então precisamente o fim da época de colheita. Depois disso, Suibhne escutou um grito de caçada de uma multidão na orla do bosque. “Este,” disse ele, “é o grito de uma grande tropa, e eles são os Ui Faelain vindo me matar para se vingar de Oilill Cedach, o rei dos Ui Faelain, aquele que matei na batalha de Magh Rath.” Ele escutou o bramido do veado e fez uma balada onde elogiou em voz alta as árvores da Irlanda, e, recordou suas próprias dificuldades e tristezas. Ele disse:

1. Ó pequeno veado, tu do pequeno bramido;
Ó pequeno melodioso que bradas,
Doce para nós é a tua música
Que fazes no vale.

2. A saudade pelo meu pequeno lar
Chegou até meus sentidos –
Os rebanhos na planície,
O veado na montanha.

3. Tu, ó carvalho, cerrado, frondoso,
Tu estás alto além das árvores;
Ó aveleira, pequena ramificada,
Ó fragrância das avelãs.

4. Ó amieiro, tu não és hostil,
Encantadora é tua cor,
Tu não laceras e picas
Na abertura que estás.

5. Ó pequeno espinheiro-negro, pequeno espinhoso;
Ó pequeno abrunheiro13 negro;
Ó agrião, pequeno de crista verde,
Das margens da fonte do melro (?).

6. Ó minen14 do caminho,
Tu és doce além das ervas,
Ó pequena e verde, muito verde,
Ó erva na qual o morango cresce.

7. Ó macieira, pequena macieira,
Muito tu és balançada;
Ó rápida, pequena das bagas,
Encantadora é a tua floração.

8. Ó amoreira-silvestre, pequena arqueada,
Tu não concedes termos justos,
Tu não paras de me dilacerar,
Até que tu tenhas tua suficiência de sangue.

9. Ó teixo, pequeno teixo,
Nos cemitérios tu és notável;
Ó hera, pequena hera,
Tu és familiar no bosque escuro.

10. Ó azevinho, pequeno que abriga,
Tua porta contra o vento;
Ó freixo, seu maligno,
Arma de mão de um guerreiro.

11. Ó bétula, suave e abençoada,
Sua melodiosa, orgulhosa,
Encantador é cada galho torcido
No topo de tua coroa.

12. Ó alamo-tremedor,
Por vezes escuto
Tuas folhas correndo –
Me parece que é uma pilhagem!

13. Minha aversão nos bosques –
Eu não escondo de ninguém –
É o rebuliço frondoso de um carvalho
Balançando tudo (?).

14. Infortúnio pelo qual ofendi
A honra de Ronan Finn,
Seus milagres me perturbaram,
Seus pequenos sinos da igreja.

15. Infeliz eu encontrei
A armadura do ereto Congal,
Sua túnica brilhante, acolhedora
Com ourelas de ouro.

16. Era um ditado de todos
Da corajosa, ativa tropa:
‘Não deixa escapar pelo estreito bosquete
O homem da agradável túnica.’

17. ‘Fere, mate, abate,
Tirem vós proveito dele;
Coloque-o, apesar de ser um grande delito,
No espeto e no prego.’

18. Os cavaleiros me perseguindo
Ao redor de Magh Cobha,
Nenhum lance deles me alcança
Através das minhas costas.

19. Indo através das heras –
Eu não escondo, ó guerreiro –
Como um bom arremesso de uma lança
Eu fui com o vento.

20. Ó pequeno gamo, ó pequeno das pernas longas,
Eu fui capaz de te pegar
Cavalgando sobre ti
De um pico ao outro.

21. De Carn Cornan das disputas
Até o topo de Sliabh Niadh,
Do topo de Sliabh Uillinne
Eu alcanço Crota Cliach.

22. De Crota Cliach das assembléias
Até Carn Liffi de Leinster,
Eu chego antes do anoitecer
Na amarga Benn Gulbain.

23. Na minha noite antes da batalha de Congal,
Eu julgava afortunado,
Antes de ficar sem descanso,
Vagas nos picos das montanhas.

24. Glen Bolcain, minha morada constante,
Foi uma bênção para mim,
Muitas noites tentei
Uma raça severa contra o pico.

25. Se eu fosse vagar sozinho
Nas montanhas do mundo marrom,
Eu julgaria melhor, o lugar de uma única cabana
No Vale da poderosa Bolcan.

26. Fria é sua água pura e verde,
Bom é o seu limpo e feroz vento,
Bom é o seu agrião de crista verde,
Suas altas becabungas são as melhores.

27. Boas são suas duradouras heras,
Bom é seu brilhante e alegre salgueiro,
Bons são seus teixos,
Sua melodiosa bétula é a melhor.

28. Se tu viesses, ó Loingseachan,
Até mim em cada disfarce,
Todas as noites para conversar comigo,
Talvez eu ficaria mais tempo contigo.

29. Eu não ficaria para conversar contigo,
Se não fosse pelo conto com o qual me feriste –
Pai, mãe, filha, filho
Irmão e forte esposa, mortos.

30. Se tu viesses conversar comigo,
Não melhor eu julgaria;
Eu vagaria antes da alvorada
Nas montanhas de Boirche dos picos.

31. Perto do moinho da pequena enfarinhada (?)
Teu povo tem sido aterrado, (?)
Ó miserável, ó fraco,
Ó veloz Loingseachan.

32. Ó bruxa deste moinho,
Por que levaste vantagem de mim?
Eu te escuto me insultando
Mesmo quando estás fora, na montanha.

33. Ó bruxa, ó bruxa de cabeça redonda, (?)
Tu irás em um corcel?
Eu iria, ó cabeça tola (?)
Se ninguém me visse.

34. Ó Suibhne, se eu for,
Que meu salto seja bem sucedido.
Se tu fores, ó bruxa,
Que tu não desmontes, cheia de sentido! (?)

35. De fato, não é justo o que dizes
Tu, filho de Colman Cas;
Não é melhor que eu cavalgue sem cair para trás?

36. Justo, de fato, é o que digo,
Ó bruxa sem sentido;
Um demônio está te arruinando,
Tu arruinaste a ti mesmo.

37. Tu não consideras melhor,
Tu, nobre e esbelto louco,
Que eu deva te seguir
Dos topos das montanhas?

38. Um orgulhoso arbusto de hera
Que cresce através, uma árvore retorcida –
Se eu estivesse bem no seu topo,
Eu temeria sair.

39. Eu vôo diante das cotovias –
Esta é uma grande e austera raça –
Eu salto sobre os tocos
Nos topos das montanhas.

40. Quando a orgulhosa rola
Se levanta para nós, rapidamente eu
A alcanço
Uma vez que minhas penas cresceram.

41. A boba e tola galinhola
Quando ela se levanta, me parece
Um amargo adversário, o melro
(também) que também dá o grito de alarme.

42. Todas as vezes eu saltava
Até estar no chão
Para que eu pudesse ver a pequena raposa
Abaixo, roendo os ossos (...)

43. Além de cada lobo (?) entre as heras
Rapidamente ele obteria a vantagem sobre mim,
Tão velozmente eu pularia
Até chegar no pico da montanha.

44. Pequenas focas ganindo
Para mim e de mim,
Lobos dilacerando,
Eu fugi ao seu som.

45. Eles lutaram para me alcançar,
Vindo em sua rápida corrida,
Então eu fugi diante deles
Para os topos das montanhas.

46. Minha transgressão chegou
Contra mim, para todo caminho que eu fugir;
Isso é evidente pra mim a partir da pena,
Me mostrou que eu sou uma ovelha sem uma proteção.

47. A velha árvore de Cell Lughaidhe
Onde eu durmo um sono seguro;
Mais encantadora na época de Congal
Era a feira da fértil Line.

48. Lá virá a brilhante geada
Que cairá em todo charco;
Eu sou um miserável, vagabundeando
Exposto à geada no pico da montanha.

49. As garças estão chamando
Na fria Glenn Aighle,
Rápidas revoadas de pássaros
Indo e vindo.

50. Eu não amo a alegre balbuciação
Que os homens e as mulheres fazem:
Mais doce para mim é o canto
Do melro no quarteirão no qual ele está.

51. Eu não amo a trombeta
Que escuto cedo de manhã:
Mais doce para mim é o guincho
Dos texugos em Benna Broc.

52. Eu não amo o soprar de chifres
Que tão audaciosamente escuto:
Mais doce para mim é o bramir de um veado
De duas vezes vinte picos.

53. Há material de uma equipe de arado
De vale em vale:
Cada veado está descansando
No topo dos picos.

54. Apesar de muitos serem meus veados
De vale em vale,
Não suficiente é a mão de um lavrador
Fechada em volta de seus chifres (?).

55. O veado da sublime Sliabh Eibhlinne,
O veado da penetrante Sliabh Fuaid,
O veado de Ealla, o veado de Orrey,
O feroz veado de Loch Lein.

56. O veado de Seimhne, o veado de Larne,
O veado de Line dos mantos,
O veado de Cuailgne, o veado de Conachail,
O veado de Bairenn dos dois picos.

57. Ó mãe desta manada,
Teu casaco se tornou cinza,
Não há veado atrás de ti
Sem duas vintenas de pontas de galhada.

58. Maior que o material para uma pequena capa
Tua cabeça se tornou grisalha;
Se eu estivesse em cada pequena ponta,
Haveria uma pontinha em cada ponta.

59. Tu, veado que vens bramindo
Até mim pelo vale,
Agradável é o lugar para assentos, no topo
Das pontas de tuas galhadas.

60. Eu sou Suibhne, um pobre suplicante,
Rapidamente eu corro pelo vale;
Este não é meu nome legítimo,
É Fer Benn.

61. As fontes que achei as melhores:
O poço de Leithead Lan,
O poço mais belo e fresco,
A fonte de Dun Mail.

62. Apesar de meus passeios serem muitos,
Hoje minhas vestes estão escassas,
Eu mesmo mantenho minha vigia
No topo das montanhas.

63. Ó alta e castanha-avermelhada samambaia,
Teu manto se tornaste vermelho;
Não há leito para um exilado
Nos galhos de tuas plumas.

64. Na sempre angélica Tech Moling,
Na poderosa Toidhen no sul,
Será lá meu eterno lugar de descanso,
Eu cairei pela ponta de uma lança.

65. A maldição de Ronan Finn
Me atirou em tua companhia,
Ó pequeno veado, pequeno do bramido,
Ó melodioso e pequeno que brada.

                Após essa balada, Suibhne foi de Fiodh Gaibhle até Benn Boghaine, e de lá, para Benn Faibhne e depois para Rath Murbuilg, mas não conseguiu se refugiar da bruxa até chegar em Dun Sobairce em Ulster. Suibhne saltou do topo da fortaleza até o chão, de frente para a bruxa. Ela saltou rapidamente atrás dele, mas caiu nas falésias de Dun Sobairce, onde foi despedaçada e caiu no mar. Dessa forma, ela encontrou a morte ao vigiar Suibhne.

                Depois disso, Suibhne disse: “De agora eu diante, não ficarei mais em Dal Araidhe, pois Loingseachan, para vingar sua bruxa, me mataria se eu estivesse em seu poder.” Suibhne então foi até Ros Comain em Connacht e pousou nas margens do poço, onde se alimentou com o agrião e a água. Uma mulher saiu da casa do erenach e foi até o poço – Forbhasach, filho de Fordhalach, era o erenach. Finnsheng, a filha de Findealach (?) era o nome da mulher que veio. O louco fugiu dela e ela pegou o agrião que estava no rio. Suibhne estava chorando grandemente na árvore pelo seu agrião ter sido levado. Por isso, ele disse, “Ó mulher,” disse ele, “é triste que tu tenhas levado o meu agrião, se tu soubesses a situação difícil na qual estou, pois nenhum homem da tribo ou parente tem pena de mim, e eu não visito a casa de ninguém como hóspede na cordilheira do mundo. Como gado, eu tenho meu agrião, meu hidromel é minha água, minhas árvores rígidas e despidas ou frondosas são meus amigos. E mesmo se tu jogares fora meu agrião,” disse ele, “é certo que tu não estarias sem alguém essa noite como eu estou após meu agrião ter sido tirado de mim.” E ele fez esta balada:

1. Ó mulher que colheste o agrião
E levaste a água,
Tu não ficarias sem algo esta noite
Mesmo se tu levasses a minha porção.

2. Ai, ó mulher!
Tu não irás pelo caminho que eu vou;
Eu estarei lá fora na copa das árvores,
Tu estarás por ai na casa de um amigo.

3. Ai, ó mulher!
Frio é o vento que veio até mim;
Nenhuma mãe e nenhum filho tem pena de mim,
Nenhuma capa está em meu peito.

4. Se tu apenas soubesses, ó mulher,
Como Suibhne está:
Ele não tem a amizade de ninguém,
E ninguém tem a sua amizade.

5. Eu não vou para assembleias
Entre os guerreiros de meu país,
Nenhuma salvaguarda me é garantida,
Meu pensamento não está no reinado.

6. Eu não vou como um convidado
Até a casa do filho de qualquer homem em Erin,
Mais frequentemente eu estou vadiando loucamente,
Nos pontudos cumes das montanhas.

7. Ninguém vem para fazer música para mim
Por um tempo antes de me deitar,
E também não tenho a pena
Dos homens da tribo ou dos parentes.

8. Quando eu era Suibhne, na verdade,
E costumava andar nos corcéis –
Quando isso vem até a minha memória,
Que pena que eu tenha sido privado na vida!

9. Eu sou Suibhne, o nobre líder (?),
Fria e triste é minha morada,
Não obstante, estou essa noite em picos selvagens,
Ó mulher que colheste meu agrião.

10. Meu hidromel é minha água fria,
Meu gado são meus agriões,
Meus amigos são minhas árvores,
Não obstante, estou sem manto ou blusa.

11. Fria é a noite dessa noite,
Não obstante, estou pobre no que diz respeito ao agrião,
Eu escutei o grito de um ganso selvagem
Na despida Imlech Iobhair.

12. Eu estou sem manto ou blusa
A hora maligna se agarrou a mim há muito tempo (?),
Eu fujo com o grito de uma garça-real
Pois penso que é um golpe contra mim.

13. Eu alcanço a firme Dairbre
Nos maravilhosos dias de Primavera,
E antes de anoitecer eu fujo
Para o oeste, para Benn Boirche.

14. Se tu és instruída, ó nobre e desagradável,
Meu campo [...]
Há alguém a quem a carga que tu levaste
É um assunto doloroso, ó bruxa.

15. Frios eles estão
Na margem de uma fonte clara e pedregosa –
Um brilhante gole de água pura
E o agrião que tu levaste.

16. Minha refeição é o agrião que tu colheste,
A refeição de um nobre e emaciado louco;
Frios ventos saltam ao redor de meus lombos
Dos picos de cada montanha.

17. Frio é o vento da manhã,
Ele vem entre eu e minha blusa,
Eu sou incapaz de falar contigo,
Ó mulher que colheste o agrião.

A mulher

18. Deixe minha porção para o Senhor,
Não sejas tu desagradável comigo;
Assim mais você alcançará a supremacia,
E levará uma bênção, ó Suibhne.

Suibhne

19. Vamos fazer uma barganha justa e apropriada
Apesar de eu estar na copa de um teixo;
Pegue minha blusa e meus farrapos,
Deixe o pequeno maço de agrião.

20. Existem poucos por quem eu sou amado,
Não tenho casa na terra;
Uma vez que tu tiraste de mim o meu agrião
Que meus pecados estejam em tua alma!

21. Que tu não alcances aquele que tu amas,
O pior para aquele que tu seguiste;
Tu deixaste uma pessoa na pobreza
Devido ao maço que tu colheste.

22. Que uma pilhagem dos nórdicos de casacos azuis te levem!
Encontrar-te não foi um encontro afortunado para mim,
Que tu obtenhas do Senhor a culpa
Por cortar minha porção de agrião.

23. Ó mulher, se chegar até ti
Loingseachan, cujo deleite é o esporte,
Dá tu para ele, em meu nome
Metade do agrião que colheste.

                Ele permaneceu aquela noite em Ros Comain e de lá foi pela manhã até a encantadora Sliabh Aughty, de lá para a suave e bela Sliabh Mis, de lá para Sliabh Bloom dos picos elevados e de lá, para Inius Murray. Ele ficou na caverna de Donnan de Eig por um mês e quinze dias, e de lá, foi para Carrick Alastair, onde firmou sua morada e permaneceu por mais um mês e quinze dias. Ele a deixou posteriormente e se despediu, proclamando alto suas próprias mágoas, dizendo: 

1. Triste é essa vida,
Estar sem uma cama macia,
Morada de geada fria,
Aspereza da neve conduzida pelo vento.

2. Vento frio, gelado,
Fraca sombra de um sol débil,
Abrigo de uma única árvore,
No topo de um planalto.

3. Duradora é a tempestade,
Pisando sobre os caminhos dos cervos, (?)
Passeando pelo relvado
Em uma manhã de geada cinza.

4. O bramir dos veados
Por todo o bosque,
A subida até a passagem do cervo,
A voz dos mares brancos.

5. Sim, ó grande Senhor,
Grande é essa fraqueza,
Mais grave é essa tristeza escura,
Suibhne, o da virilha esguia.

6. Correndo sobre desfiladeiros de muitas cores
Da Boirche das camas de cabanas,
O sussurro da noite de inverno,
Caminhando nela em granizos.

7. Deitado em uma cama úmida
Nos declives de Loch Erne,
Atenção na partida antecipada,
Manhã do cedo despertar.

8. Corrida sobre as cristas das ondas
De Dun Dobairce,
Ouvido para as ondas
De Dun Rodairce.

9. Correndo dessa grande onda
Até a onda do apressado Barrow,
Dormindo em uma dura cama
Da nobre Dun Cermna.

10. Da nobre Dun Cermna
Até a florida Benn Boirne,
Ouvido contra um travesseiro de pedra
Da dura Cruachan Oighle.

11. Inquieta é minha andança
Na planície de Boroma,
De Benn Iughoine
Até Benn Boghaine.

12. Veio até mim
Aquela que colocou suas mãos em mim,
Ela que não me trouxe paz,
A mulher que me desonrou.

13. Ela levou minha porção
Por conta de meus pecados,
Miserável foi o trabalho –
Meu agrião foi comido.

14. Eu colho o agrião,
Comida em um nobre maço,
Quatro punhados redondos
Da nobre Glen Bolcain.

15. Eu busco uma refeição –
Encantador é o oxicoco,
Uma bebida de água aqui
Do poço de Ronan Finn.

16. Minhas unhas estão curvadas,
Meus quadris estão fracos,
Meus pés estão perfurados,
Minhas coxas estão nuas.

17. Me alcançará
Um bando teimoso de guerreiros,
Longe de Ulster,
Passando em Alba.

18. Após essa jornada –
Triste é meu segredo –
Estar na companhia dura
De Carraig Alastair.

19. Carraig Alastair,
Morada de gaivotas,
Triste, ó Criador,
Fria para seus convidados.

20. Carraig Alastair,
Rocha em formato de sino,
Suficiente era a metade de sua altura,
Proa para o continente.

21. Triste é nosso encontro;
Algumas garças de pernas duras –
Eu, duro e esfarrapado,
Ela, de bico duro.

22. Estas camas são úmidas
Onde é minha morada,
Pouco pensei
Que fosse uma rocha de santidade.

23. Ruim foi para Congal Claon
Que ele tenha chegado na batalha;
Como um jugo externo
Ele ganhou uma maldição.

24. Quando eu fugi
Da batalha de Magh Rath
Antes da minha ruína,
Eu não merecia a severidade.

25. Triste é esta expedição;
Que eu não tivesse vindo!
Longe da minha casa
É a região na qual cheguei.

26. Loingseachan virá,
Triste são suas jornadas;
Apesar dele me seguir,
Não será fácil.

27. Bosques bem estendidos
São os baluartes deste circuito –
A terra para onde vim –
Não é um ato de tristeza.

28. O lago negro da fortalecida Boirche
Grandemente ela me perturbou;
A imensidão de suas profundidades,
A força de suas ondas cristadas.

29. Encontrei melhores
Bosques agradáveis,
Excelentes lugares da arborizada Meath,
A imensidão de Ossory.

30. Ulaidh na época da colheita
Sobre o agitado Loch Cuan,
Uma visita de verão
Para a raça do longevo Eoghan.

31. Uma jornada em Lammas
Até Taillten das fontes,
Pesca na primavera
Nos meandros do Shannon.

32. Frequentemente alcanço
A terra que deixei em ordem,
Tropas de cabelos cacheados,
Firmes cristas.

                Suibhne então deixou Carraig Alastair e seguiu sobre o mar de grande boca e varrido por tempestades, até alcançar a terra dos britânicos. Ele deixou a fortaleza do rei dos britânicos em sua mão direita e chegou em um grande bosque. Enquanto ele caminhava pelo bosque, ouviu alguém lamentando e chorando, um grande lamento de angústia e suspiro fraco. Era outro louco que vadiava pelo bosque. Suibhne foi até ele. “Quem és tu, meu homem?” disse Suibhne. “Eu sou um louco,” disse ele. “Se tu és um louco,” disse Suibhne, “venha cá para que possamos ser amigos, pois eu também sou um louco.” “Eu iria,” disse o outro, “se não fosse pelo medo da criadagem ou família do rei me pegar, e eu não sei se tu és um deles.” “Não sou, na verdade,” disse Suibhne, “e já que não sou, diga-me seu nome de família.” “Fer Caille (Homem do Bosque) é meu nome,” disse o louco. Depois disso, Suibhne proferiu esses versos e Fer Caille respondeu o seguinte:

Suibhne

1. Ó Fer Caille, o que te aconteceu?
Triste é tua voz;
Conta-me o que te arruinou
Em sentido ou forma.

Fer Caille

2. Eu te contarei minha história,
Além das minhas façanhas,
Se não fosse pelo medo da orgulhosa tropa
Da criadagem do rei.

3. Eu sou Ealadhan
Que costumava ir para muitos combates,
Sou conhecido por todos
Como o principal louco dos vales.

Suibhne

4. Eu sou Suibhne, filho de Colman,
Do agradável Arbusto;
O mais fácil para nós é conversar  
Aqui, ó homem.

                Depois disso, um confiou no outro e eles trocaram suas notícias. Suibhne disse para o louco: “Dê-me um relato seu.” “Eu sou filho de um proprietário de terras,” disse o louco da Grã-Bretanha, “e sou um nativo desse país onde estamos, e Ealladhan é meu nome.” “Diga-me,” disse Suibhne, “o que causou a sua loucura.” “Não é difícil dizer. Uma vez, dois reis estavam brigando pela soberania desse país: Eochaidh Aincheas, filho de Guaire Mathra, e Cugua, filho de Guaire. Eu sou do povo de Eochaidh,” disse ele, “pois ele era o melhor dos dois. Foi convocada então uma grande assembléia para dar batalha um contra o outro, lutando pelo país. Eu coloquei um geasa em cada um do povo do meu senhor para que ninguém viesse para a batalha sem estar vestido em seda, para que eles pudessem estarem notáveis além de todos os outros pela pompa e orgulho. As tropas deram três gritos de maldição em mim, que me enviaram para a vadiagem e fuga, como tu vês.”

                Da mesma forma ele perguntou para Suibhne o que o levou a loucura. “As palavras de Ronan,” disse Suibhne “pois ele me amaldiçoou na frente da batalha de Magh Rath, de forma que fugi da batalha e estive vadiando e fugindo desde então. “Ó Suibhne,” disse Ealladhan, “vamos nos vigiar, uma vez que depositamos confiança um no outro; aquele que escutar primeiro o grito de uma garça-real de um lago de águas azuis e verdes ou a clara nota de um cormorão, ou o vôo de uma galinhola de um galho, o assobio ou o som de uma tarambola que acorda de seu sono, ou o som de galhos secos sendo quebrados, ou ver a sombra de um pássaro sobre o bosque, que aquele que escutar primeiro avise e conte para o outro; vamos deixar a distância de duas árvores entre nós, e se um de nós escutar qualquer uma das coisas mencionadas previamente ou qualquer coisa que se pareça com elas, vamos voar rapidamente depois disso.”

                Eles fizeram assim e passaram um ano inteiro juntos. No final do ano, Ealladhan disse para Suibhne: “Essa é a hora que nos separamos, pois o final da minha vida chegou e eu preciso ir para o lugar que me foi destinado para a morte.” “Como você deverá morrer?” disse Suibhne. “Não é difícil dizer,” disse Ealladhan; “Eu vou agora para Eas Dubhthaigh e uma rajada de vento me pegará por baixo e me jogará na cachoeira, me afogando, e posteriormente serei enterrado em um cemitério de um santo e irei para o Céu; e esse é o final da minha vida. E, ó Suibhne,” disse Ealladhan, “conte-me como será o seu destino.” Suibhne então lhe contou conforme a história conta abaixo. Eles então se separaram e o britânico foi para Eas Dubhthaigh, e ao chegar na cachoeira, ele se afogou nela.

                Suibhne então foi para a Irlanda e no final do dia, ele chegou em Magh Line em Ulster. Quando reconheceu a planície, ele disse: “Bom, de fato, é aquele com quem fiquei temporariamente na planície, Congal Claon, filho de Scannlan, e boa, além disso, era a planície onde ficamos. Um dia, Congal e eu estávamos lá e eu lhe disse: ‘Eu iria feliz para outro mestre,’ devido à escassa recompensa que recebi dele. Com isso, para que eu pudesse ficar com ele, ele me deu três vezes cinquenta belos corcéis estrangeiros juntos de seu próprio corcel marrom, e três vezes cinquenta reluzentes espadas com o cabo de marfim, cinquenta escravos, cinquenta escravas, uma túnica com ouro e um esplêndido cinto de seda em várias cores.” Logo a seguir, Suibhne recitou esse poema:

1. Estou em Magh Line essa noite,
Meu peito nu a conhece;
Eu conheço a planície também
Na qual meu companheiro Congal habitava.

2. Uma vez Congal Claon e eu
Estivemos juntos aqui na planície;
Enquanto estávamos indo para a fértil Druim Lurgain,
Nós conversamos por um tempo.

3. Eu disse para o rei –
[...] –
Eu te deixaria alegremente
Eu considero minha recompensa muito pequena.

4. Eu ganhei dele como um presente
Três vezes cinquenta corcéis com freios,
Três vezes cinquenta espadas fortes,
Cinquenta estrangeiros e cinquenta criadas.

5. Eu ganhei dele o corcel marrom,
O melhor que corria sobre o prado e o relvado;
Eu ganhei sua túnica dourada
E seu cinto de seda multicolorido

6. Que planície é igual à Magh Line,
A menos que seja a planície que está em Meath,
Ou Magh Femin das muitas cruzes,
Ou a planície que está em Airgeadros?

7. Ou Magh Feadha, ou Magh Luirg,
Ou Magh Aei com beleza de nível,
Ou Magh Life, ou Magh Li,
Ou a planície que está em Murthemne?

8. De todas que eu já vi
Tanto no norte, no sul ou no oeste,
Eu ainda não vi
Uma igual à essa planície.

                Depois dessa balada, Suibhne chegou em Glen Bolcain e ficou vagando por ela até encontrar uma mulher louca. Ele fugiu diante dela e contudo, adivinhou que ela estava em um estado de loucura e foi em sua direção. Ela então fugiu diante dele. “Ai, ó Deus!” disse Suibhne, “miserável é essa vida; aqui estou fugindo da mulher louca e ela fugindo de mim no meio da Glen Bolcan; querido, de fato, é este lugar.” Depois disso, ele disse:

1. Ai daquele que tiver inimizade,
Que ele não tivesse nascido ou vindo ao mundo!
Quer seja uma mulher ou um homem que tiver,
Que os dois não cheguem no santo Céu!

2. Raramente existe uma aliança de três
Sem um deles estar murmurando;
Espinheiros-negros e amoreiras-pretas me feriram
Então eu sou o murmurador.

3. Uma mulher louca fugindo de seu homem –
No entanto, este é um conto estranho –
Um homem sem roupas, sem sapatos,
Fugindo da mulher.

4. Nosso desejo, quando os patos selvagens vierem
No Samhuin, para o primeiro de maio,
Em cada bosque marrom, sem escassez,
É estar nos galhos de hera.

5. A água da brilhante Glen Bolcain,
Escutando os seus muitos pássaros;
Seus melodiosos e apressados córregos,
Suas ilhas e seus rios.

6. Seu azevinho que abriga e suas aveleiras,
Suas folhas, seus espinheiros, suas bolotas,
Suas bagas frescas e deliciosas,
Suas nozes, seus refrescantes abrunhos.

7. O número de suas matilhas de cães de caça nos bosques,
O bramir de seus veados,
Sua água pura sem proibição;
Estas não são as coisas que odeio.

                Depois disso, Suibhne foi até o lugar onde Eorann estava e parou na porta externa da casa onde estavam a rainha e suas mulheres, e disse: “Tu estás no conforto, Eorann, embora eu não esteja.” “Verdade,” disse Eorann, “mas entre,” disse ela. “De fato não irei,” disse Suibhne, “para que o exército não me encurrale na casa.” “Me parece,” disse a mulher, “que seu motivo não é o melhor daquele dia até hoje, e uma vez que tu não queres ficar conosco,” disse ela, “vá embora e não nos visite mais, pois estamos envergonhadas que tu sejas visto nesse estado pelo povo que já te viu em sua verdadeira aparência.” “Infeliz, de fato, é isso,” disse Suibhne, “ai daquele que confia em uma mulher após essas palavras, pois grande foi minha bondade para a mulher que me rejeita assim, vendo que um dia eu lhe dei três vezes cinquenta vacas e cinquenta corcéis, e se esse fosse o dia que matei Oilill Cedach, o rei dos Ui Faolain, ela ficaria feliz em me ver.” Depois disso, ele disse:

1. Ai daquele que apanha da fantasia das mulheres,
Apesar de excelentes serem suas formas,
Uma vez que Suibhne Geilt
Não obteve simpatia de seu primeiro amor.

2. E ai daquele que confia nas mulheres
Quer seja de noite ou de dia,
O que quer que esteja em suas mentes,
Após a traição de Eorann.

3. Boa foi minha bondade para a mulher –
Sem malícia, sem engano –
Ela obteve de mim três vezes cinquenta vacas
E cinquenta corcéis em um único dia.

4. Quando eu estava no conflito,
Eu não evitaria um bando armado;
Onde houvesse uma luta ou contenda
Eu equivaleria à trinta.

5. Corretamente Congal perguntou
Para nós, guerreiros de Ulster:
‘Quem de vós combaterão na batalha
Oilill Cedach, o combativo?’

6. Selvagem e furioso era o homem,
Seu escudo e sua lança eram imensos,
Ele silenciou a tropa por um tempo,
O incomparável e imenso homem.

7. Eu disse ao lado de Congal –
Isto não era a resposta de um homem tímido –
Eu evitarei o poderoso Oilill,
Embora muito difícil seja encontrá-lo.

8. Eu deixei Oilill sem cabeça,
E fiquei totalmente feliz com isso;
Por mim, também caíram lá
Os cinco filhos do rei de Magh Mairge.

                Logo a seguir, Suibhne levantou-se levemente furtivamente e alegremente, do pico de cada altura e de cada cume de uma colina até outra, até chegar em Benn Boirche no sul. Naquele lugar, ele descansou, dizendo: “Este é um lugar para um louco, mas ainda não é um lugar para grãos, leite ou comida; é um lugar desconfortável e inquieto e não tem abrigo contra tempestade ou chuva, embora seja um imponente e belo lugar.” Depois disso, ele proferiu essas palavras:

1. Esta noite está fria em Benn Boirche,
Esta é a morada de um homem arruinado;
Não é um lugar para comida ou leite,
Nem na tempestade e na neve interminável.

2. Fria está minha cama a noite
No cume de Benn Boirche;
Eu estou fraco, nenhuma veste me cobre
Em um azevinho de galhos afiados.

3. Quando o frio me agarrou no gelo
Eu me movi bruscamente contra ele,
Eu dei fogo ao cintilante vento
Que soprava sobre a planície de Leinster de Laoghaire.

4. Glen Bolcain da clara fonte,
É minha morada para habitar;
Quando o Samhuin chegar, quando o verão se for,
Está é minha morada onde habito.

5. Onde quer que eu possa vagar no oeste e no leste
Pelos vales de Glanamhrach
As penetrantes nevascas estarão em minha face,
Para abrigo do homem louco frio de Erin.

6. Este é o meu amado vale,
Minha terra de assembléia,
Minha fortaleza real que caiu para minha parcela,
Meu abrigo contra a tempestade.

7. Para meu sustento a noite
Eu tenho tudo o que minhas mãos catam
Nos escuros bosques de carvalhos
De ervas e abundantes frutas.

8. Eu amo os preciosos oxicocos,
Eles são mais doces que [...]
Begabunga, alga marinha, este é meu desejo,
O lus bian e o agrião.

9. Maçãs, bagas, belas avelãs,
Amoras, bolotas de carvalho,
Framboesas, esta é minha taxa de generosidade,
Frutas vermelhas do pilriteiro dos espinhos afiados.

10. Oxalises, o agradável alho selvagem,
E o agrião de topo limpo,
Juntos, eles tiram a minha fome,
Bolotas da montanha, raiz de melle.

11. Eu em uma terra verde que não é um vale,
Ó Cristo, que eu nunca a alcance!
Não é minha obrigação estar lá;
Mas apesar de eu estar com frio, ela também é fria.

                Na manhã do dia seguinte, Suibhne veio para Magh Femhin, de lá seguiu para o límpido Shannon das correntes verdes, de lá foi para a imponente e bela Aughty, de lá foi para a brilhante e suave terra verde de Maenmagh, de lá para o nobre e encantador rio Suck, e de lá, foi até as praias do espalhado Lough Ree. Aquela noite, ele fez seu lugar de descanso na bifurcação de Bile Tiobradain em Crich Gaille, no leste de Connaught. Este era um de seus lugares queridos na Irlanda. Grande tristeza e miséria abateram-se sobre ele, e disse: “Grande, de fato, é o problema e ansiedade que sofri até agora; fria estava minha morada na noite passada no cume de Benn Boirche, não menos fria está minha morada essa noite na bifurcação de Bile Tiobradain.”

                Por estar nevando naquela noite e pelo fato de que assim que a neve caía, ela congelava, Suibhne disse: “Minha consciência! Grande é o sofrimento que passei desde a época que minhas penas cresceram até hoje a noite. Eu sei,” disse ele, “que apesar de eu poder encontrar minha morte por isso, seria melhor eu confiar no povo do que sofrer esses infortúnios para sempre.” Logo a seguir, ele recitou o poema proclamando alto seus infortúnios:

Suibhne

1. Estou em grande tristeza essa noite,
O puro vento perfurou meu corpo;
Feridos estão meus pés, minha bochecha está pálida,
Ó grande Deus! Esta é minha dívida.

2. Na noite passada eu estava em Benn Boirche,
A chuva da fria Aughty me bateu;
Essa noite, meus membros estão atormentados
Na bifurcação de uma árvore na agradável Gaille.

3. Eu suportei muitas lutas sem covardice
Desde que as penas cresceram em meu corpo;
Cada noite e cada dia
Mais e mais eu suporto o infortúnio.

4. O frio e a tempestade desagradável espremeram meu coração,
A neve bateu em mim na Sliabh Mic Sin;
Essa noite, o vento me feriu,
Sem a urze da alegre Glen Bolcain.

5. Perturbada é minha passagem por cada terra,
Abateu-se sobre mim de forma que estou sem sentido ou razão,
De Magh Line até Magh Li,
De Magh Li até a impetuosa Liffey.

6. Eu passei sobre o canto arborizado de Sliabh Fuaid,
Em meu vôo eu alcancei Rathmor,
Pela Magh Aoi, pela brilhante Magh Luirg,
Eu alcancei a fronteira da brilhante Cruachan.

7. De Sliabh Cua – não foi uma expedição fácil –
Eu alcancei a agradável Glais Gaille;
De Glais Gaille, apesar de ser um longo passo,
Eu cheguei na doce Sliabh Breagh, no leste.

8. Miserável é a vida de um sem-teto,
Triste é a vida, ó nobre Cristo!
Uma refeição de agrião fresco e de moitas verdes,
Uma bebida de água fria de um límpido córrego.

9. Tropeçando nas copas das árvores murchas,
Passeando pelo tojo – façanha sem falsidade –
Evitando a humanidade, mantendo a companhia com os lobos,
Correndo com o veado vermelho sobre o campo.

10. Dormindo noites sem cobertas em um bosque
Na copa de uma árvore espessa e cerrada,
Sem escutar uma voz ou uma fala;
Ó Filho de Deus, grande é a miséria!

11. Tolamente corri para o cume de uma montanha
Sozinho, exausto pela força do vigor;
Eu abandonei minha forma impecável;
Ó Filho de Deus, grande é a miséria!

                “No entanto,” disse ele, “mesmo se Domhnall, filho de Aodh, me matar, eu irei para Dal Araidhe e confiarei no meu próprio povo, e se a bruxa do moinho não tivesse invocado Cristo contra mim para que eu fizesse saltos para ela por algum tempo, eu não teria voltado para a loucura.”

                Ele então teve um vislumbre de razão e partiu para seu país para confiar em seu povo e viver com eles. Naquela época, foi revelado para Ronan que Suibhne tinha recuperado sua razão e que ele estava indo até seu país para habitar entre seu povo; logo a seguir, Ronan disse: “Eu suplico ao nobre e poderoso Rei para que o perseguidor não seja capaz de se aproximar da igreja para persegui-la novamente como ele já fizera, e, até sua alma partir de seu corpo, que não haja ajuda ou alívio para ele da vingança que Deus o infligiu em vingança pela desonra feita ao Seu Povo, para que nenhum outro tirano após ele possa infligir ultraje ou desonra no Senhor ou em Seu povo.”

                Deus ouviu a oração de Ronan, pois quando Suibhne chegou no meio de Sliabh Fuaid, ele parou lá e uma estranha aparição veio até ele meia-noite: troncos, decapitados e vermelhos, cabeças sem corpos, cinco cabeças eriçadas e rudemente cinzas, sem o corpo ou tronco entre elas, gritando e saltando no caminho e sobre a estrada. Quando ele chegou entre elas, ele as escutou conversando umas com as outras e isso é o que estavam dizendo: “Ele é um louco,” disse a primeira cabeça; “um louco de Ulster,” disse a segunda; “Sigam-no bem,” disse a terceira cabeça; “Que a perseguição seja longa,” disse a quarta cabeça; “Até ele alcançar o mar,” disse a quinta cabeça. Elas se levantaram juntas em direção a ele. Ele voou alto na frente delas (passando) de matagal em matagal, e não importa o quão vasto fosse o vale diante dele, ele não o tocaria, mas saltaria de uma borda à outra, e do cume de uma colina até o cume de outra.

                Grande, de fato, era o terror, o grito e o lamento, o guincho e o alto choro, o barulho e o tumulto das cabeças atrás dele enquanto estavam agarrando nele e o perseguindo agilmente. Tal era a força e velocidade daquela perseguição que as cabeças saltavam em suas panturrilhas, seus jarretes, suas coxas, seus ombros e em sua nuca; o impacto de cabeça contra cabeça e o choque de todas contra os lados das árvores e as pontas das rochas contra a superfície e contra a terra lhe parecia como o ímpeto de uma torrente selvagem do seio de uma alta montanha, e elas não pararam até ele escapar para as nuvens translúcidas do céu.

                Elas então o deixaram, tanto as cabeças de cabra como as cabeças de cães – pois lhe pareceu que estas estavam misturadas com outras cabeças o perseguindo. A vadiagem e o vôo que ele já tinha feito antes não era nada comparado à isso, pois ele não descansaria tempo suficiente para beber algo até o final de três quinzenas depois disso, até ele chegar em uma noite no cume de Sliabh Eidhneach; naquela noite, ele descansou na copa de uma árvore até o amanhecer. Ele então começou a lamentar penosamente; ele disse: “A miséria, de fato, está comigo essa noite após a bruxa e as cabeças em Sliabh Fuaid, e ainda assim é próprio que eu esteja dessa forma, pois foram muitos os que machuquei.” Ele então disse:

1. Estou pesaroso esta noite,
Estou triste e miserável, meu corpo está nu,
Se o povo me conhecesse
Eu teria causa para lamentar.

2. Geada, gelo, neve e tempestade,
Sempre me flagelando,
Estou sem fogo, sem casa,
No cume de Sliabh Eidheanach.

3. Eu tenho uma mansão e uma boa esposa,
Todos diriam que eu fui um príncipe;
Ele que é o Senhor e Rei
Forjou minha queda.

4. Por isso Deus me tirou da batalha
Ninguém de lá foi encontrado para me matar,
Melhor seria se eu fosse passo a passo
Com a bruxa do moinho?

5. A bruxa do moinho em sua casa,
A maldição de Cristo em sua alma!
Ai daquele que confiar na bruxa!
Ai daquele a quem ela deu a porção de seu cachorro!

6. Loingseachan estava em meu caminho
Por cada região selvagem em Erin
Até ele me tirar da árvore
Na hora que contou a morte do meu filho.

7. Ele me levou para a grande casa
Onde a tropa estava festejando,
E me confinou atrás da casa (?)
Face a face com meu primeiro amor.

8. O povo da casa, sem reprovação,
Estava jogando e rindo;
Eu e meu povo na casa
Saltando e pulando.

9. Se não fosse pela bruxa da casa,
Eu não teria ficado louco novamente;
Ela me pediu por Cristo do Céu
Para saltar por ela um pouco.

10. Um dei um ou dois saltos
Por amor ao próprio Pai Celestial;
A bruxa na casa disse
Que até mesmo ela poderia saltar daquela forma.

11. Eu saltei mais uma vez
Sobre o topo da fortaleza;
Mais rápida que a fumaça saindo de uma casa
Era o vôo da bruxa.

12. Eu vaguei por toda Erin,
De Teach Duinn até Traigh Ruire,
De Traigh Ruire até Benna Brain,
Mas a bruxa não ia embora.

13. Pela planície, pântano e colina
Eu não escapei da mulher desmazelada
Até ela saltar comigo o famoso salto
Para o cume de Dun Sobairce.

14. Depois disso, eu saltei para baixo do dun,
Nem saltei de volta,
Eu fui para o mar,
Lá eu deixei a bruxa.

15. Veio então até a praia
A tripulação do diabo para encontrá-la,
E eles levaram seu corpo;
Ai da terra de Erin na qual ela foi enterrada!

16. Uma vez, enquanto passei pela Sliabh Fuaid
Em uma noite sombria, escura e negra,
Na colina eu vi cinco cabeças,
Tendo sido cortadas em um lugar.

17. Uma delas disse de repente –
Severa era sua voz para mim –
Um louco de Ulster, sigam-no
Para que o conduzais diante de vós até o mar.

18. Eu me apressei diante delas pelo caminho
Eu não toquei os pés na terra;
Tanto cabeças de cabra como cabeças de cão
Então começaram a amaldiçoar.

19. É certo que eu me machuque;
Muitas noites eu saltei um lugar,
Muitos olhos de mulheres carinhosas
Eu fiz chorar.

                Em certa ocasião, Suibhne estava em Luachair Deaghaidh em sua corrida selvagem de loucura. Ele então seguiu em seu curso de loucura até chegar em Fiodh Gaibhle dos córregos límpidos e belos galhos. Ele ficou naquele lugar por um ano, e durante esse ano, sua comida consistia de bagas de azevinho vermelho-sangue e cor de açafrão, bolotas marrom escuras, e bebendo a água do Gabhal – o rio que nomeia o bosque. Ao final daquele tempo, uma profunda dor e uma pesada tristeza se apoderou de Suibhne pela miséria de sua vida. Depois disso, ele proferiu esse pequeno poema:

1. Eu sou Suibhne, ai!
Meu miserável corpo está completamente morto,
Sempre sem música, sem sono,
Salvo o sussurro do rude vendaval.

2. Eu vim de Luachair Deaghaidh
Até a fronteira de Fiodh Gaibhle,
Esta é minha alimentação – eu não escondo –
Bagas de hera, mastro de carvalho.

3. Estive um ano na montanha
Dessa forma que estou,
Sem comida entrando em meu corpo,
Salvo as carmesins bagas de azevinho.

4. Eu sou o louco de Glen Bolcain,
Eu não esconderei minha dor torturante;
Essa noite, meu vigor acabou,
Para mim, não há causa para não lamentar.

                Um dia, ele foi para Druim Iarainn em Connacht, onde comeu o agrião de cristas verdes da igreja, nas margens de um poço com manchas verdes, e bebeu um pouco de sua água depois. Um clérigo saiu da igreja e ficou indignado e rancoroso com o louco por comer a comida que ele mesmo costumava comer, e disse que estava feliz e contente quando Suibhne estava no teixo, após ele ter roubado sua refeição. “Triste, de fato, é o que dizes, ó clérigo,” disse Suibhne, “pois eu sou a criatura mais descontente e infeliz do mundo, pois nem descanso ou cochilo vem até meus olhos com medo de ser morto. Isso é natural, pois eu fico igualmente louco ao ver as tropas do universo unidas me ameaçando e com o vôo de uma carriça, e clérigo, ó Deus do Céu!” disse Suibhne, “que tu não estejas no meu lugar e eu em teu estado de devoção, para que sua mente e entendimento possa reconhecer que não é normal para alguém como eu ou como a minha contrapartida estarem felizes como dizes.” Depois disso, o clérigo recitou o início do poema e Suibhne respondeu (recitando) o final, como a seguir:

O Clérigo

1. Tu estás no conforto, louco,
Na topo de um galho de teixo
Ao lado de minha pequena morada,
Tu comeste meu agrião.

Suibhne

2. Minha vida não é confortável,
Ó clérigo de Druim Iarainn,
Tamanho é meu medo
Que eu não fecho um olho.

3. Se eu visse os homens do mundo
Vindo até mim, ó homem do sino,
Eu fugiria deles tão rápido
Como o vôo de uma carriça.

4. Infelizmente tu não estás no meu lugar
E eu, no lugar de um devoto clérigo,
Para que tua mente possa compreender
Que não é o feito de um louco estar no conforto.

                Um dia, quando Suibhne estava vadiando sem rumo e sem descanso por Connacht, ele finalmente chegou em All Fharannain em Tir Fhiachrach Mhuaide – um vale encantador com um rio de córrego verde caindo rapidamente pelas falésias – e um belo lugar de lá era um sínodo de santos e as multidões de povos justos. Numerosas também naquelas falésias eram as belas árvores, pesadas e ricas com numerosas frutas e também as bem abrigadas heras e macieiras de copas pesadas curvando-se para o chão com o peso de suas frutas. Corças selvagens, lebres e grandes e pesados suínos também estavam lá, tal como muitas focas gordas que costumavam dormir naquela falésia depois de vim do continente. Suibhne cobiçou grandemente aquele lugar e começou a louvá-lo e descrevê-lo em voz alta. Nisso, ele proferiu essa balada:

1. As Falésias de Farannan, morada dos santos,
Com muitas nobres aveleiras e nozes,
Rápida água fria
Caindo em seu lado.

2. Muitas heras verdes estão lá
E o mastro tal como é apreciado,
E nobres macieiras com as copas pesadas
Curvando seus galhos.

3. Muitos texugos indo para baixo de seus abrigos
E ligeiras lebres também,
E [...]
Montes de focas
Vindo do continente para cá.

4. Eu sou Suibhne, filho do justo Colman,
Eu estive fraco em muitas noites geladas;
Ronan de Druim Gess me insultou,
Eu dormi abaixo de uma árvore na cachoeira acolá.

                Suibhne chegou ao lugar onde Moling estava – Teach Moling. O saltério de Kevin estava, naquela hora, na frente de Moling enquanto ele o lia para seus alunos. Na presença do clérigo, Suibhne então foi até as margens da fonte e começou a comer o agrião. “Ó louco que estás comendo cedo,” Moling falou e Suibhne o respondeu:  

1. Moling: É uma hora precoce, seu louco,
Para uma celebração adequada.

Suibhne: Embora para ti, clérigo, pareça precoce
A terça hora chegou em Roma.

2. Moling: Como tu sabes, louco,
Quando a terça hora chega em Roma?

Suibhne: O conhecimento vem até mim do meu Senhor
Toda manhã e toda tarde.

3. Moling: Relate através do mistério da fala
As notícias do nobre Senhor.

Suibhne: Contigo está o (dom da) profecia
Se tu és Moling.

4. Moling: Como tu me conheces,
Seu penoso louco astuto?

Suibhne: Eu estive sobre esse jardim frequentemente
Desde que minha razão foi derrubada.

5. Moling: Por que tu não se assentas em um lugar,
Tu, filho de Colman Cuar?

Suibhne: Eu preferiria estar em um único lugar
Na vida eterna.

6. Moling: Miserável, tua alma chegará
No inferno com a imensidão de limo?

Suibhne: Deus não me inflige dor
Exceto ficar sem descanso.

7. Moling: Venha para cá para que tu possas comer
O que tu consideras doce.

Suibhne: Se tu apenas soubesse, clérigo,
Mais doloroso é estar sem um manto.

8. Moling: Pega tu meu capuz
Ou pega minha blusa.

Suibhne: Apesar de hoje eu estar horrível,
Já houve um tempo quando eu estava melhor.

9. Moling: Tu és o temido Suibhne
Que veio da batalha de Rath?

Suibhne: Se eu for, não será garantido
Que eu possa comer cedo de manhã.

10. Moling: De onde veio meu reconhecimento,
Louco astuto, de ti?

Suibhne: Eu estive frequentemente sobre esse jardim
Te observando de longe.

11. Moling: Encantadora é a folha desse livro,
O saltério do santo Kevin.

Suibhne: Mais encantadora é a folha do meu teixo
Na alegre Glen Bolcain.

12. Moling: Tu não consideras agradável o pátio dessa igreja
Com sua escola de belas cores?

Suibhne: Não mais desagradável foi minha reunição
Na manhã em Magh Rath.

13. Moling: Irei para a celebração
Para Glais Cille Cro.

Suibhne: Saltarei um fresco arbusto de hera
Um alto salto, e será o maior feito.

14. Moling: Cansativo para mim nessa igreja é
Esperar o forte e o fraco.

Suibhne: Mais cansativo é minha cama
Na fria Benn Faibhni.

15. Moling: Onde tua vida chegará no final,
Na igreja ou no lago?

Suibhne: Um guardador de porcos teu
Me matará no início da manhã.

                “Agradável, de fato, é sua vinda, Suibhne,” disse Moling, “pois lhe foi destinado ficar aqui e terminar tua vida aqui, deixar aqui tua história e aventuras e ser enterrado em um cemitério do povo correto; e eu te obrigo,” disse Moling, “que não importa o quanto que tu viajes pela Irlanda todos os dias, tu virás até mim todas as noites para que eu possa escrever tua história.”

                Depois disso, durante aquele ano, o louco visitava Moling. Um dia ele ia para Innis Bo Finne no oeste de Connacht, outro dia ia para a encantadora Eas Ruaidh, outro dia para a suave e bela Sliabh Mis, outro dia para a sempre fria Benn Boirche, mas onde quer que ele fosse todos os dias, ele comparecia todas as noites em Teach Moling. Moling ordenou uma refeição para ele para aquela hora, pois ele disse para sua cozinheira lhe dar um pouco da ordenha de cada dia. Muirghil era seu nome, ela era a esposa de Mongan, o guardador de porcos de Moling. Este era o tamanho da refeição que a mulher costumava lhe dar: ela costumava empurrar seu joelho no esterco de vaca mais próximo e deixava lá uma parte inteira do leite fresco para Suibhne. Ele vinha cuidadosamente até a porção vaga do pátio de ordenha para beber o leite.

                Em uma noite, surgiu uma disputa entre Muirgil e outra mulher no recinto da ordenha, onde a outra mulher disse: “é pior para ti,” disse ela, “que outro homem não seja mais bem vindo até ti, e ainda, que tu não prefiras que teu próprio marido venha até você, ao invés do louco que te visitava no ano passado.” A irmã do guardador de porcos ouviu aquilo. No entanto, ela não falou nada sobre isso até ver Muirgil na manhã seguinte indo deixar o leite para Suibhne no esterco de vaca perto da cerca onde ele estava. A irmã do guardador de porcos ao ver aquilo, foi até seu irmão e lhe disse: “Sua criatura covarde, tua esposa está lá na cerca com outro homem”, disse ela. O guardador de porcos ficou com ciúmes ao escutar aquilo e levantou-se subitamente e ferozmente, e pegou uma lança que estava dentro de uma prateleira e feita para o louco. O corpo do louco estava em sua direção enquanto ele estava abaixado comendo sua refeição no esterco. O guardador de porcos arremessou sua lança em Suibhne e o feriu no mamilo do seio esquerdo, de forma que a ponta o atravessou partindo suas costas em duas. (Alguns dizem que foi a ponta do chifre de uma corça que o guardador de porcos colocou debaixo dele no lugar onde ele costumava beber seu leite do esterco, de forma que ele caiu nele, morrendo dessa forma.)

                Enna Mac Bracain estava então soando o sino para a primeira hora do dia na porta do pátio da igreja quando viu o que tinha acontecido. Logo a seguir, ele proferiu a balada:

1. Isto é triste, ó guardador de porcos de Moling,
Que tu forjaste uma façanha pesarosa e intencional,
Ai daquele que foi morto pelo golpe de sua força
O rei, o santo, o santo louco.

2. Ruim para ti será a consequência disto –
Ir para o final sem arrependimento –
Tua alma estará na guarda do diabo,
Teu corpo estará [...]

3. O Céu será o mesmo lugar
Para mim e para ele, ó homem,
Saltérios serão cantados pelo povo que jejua
Pela alma do verdadeiro convidado.

4. Ele foi um rei, ele foi um louco,
Um homem ilustre, nobre, ele era;
Lá está seu túmulo – brilhante festival –
A pena por ele partiu meu coração.

                Enna virou-se e contou para Moling que Suibhne tinha sido morto pelo seu guardador de porcos, Mongan. Moling imediatamente foi com seus clérigos até o lugar onde Suibhne estava, e lá, Suibhne reconheceu suas falhas e (fez) suas confissões para Moling; ele partilhou do corpo de Cristo e agradeceu a Deus por tê-lo recebido, tendo sido untado pelos clérigos posteriormente.

                O guardador de porcos foi até ele. “Severo é o ato que fizeste, ó guardador de porcos,” disse Suibhne, “me matar, inocente, pois doravante não posso escapar pela cerca pela ferida que tu infligiste em mim.” “Se eu soubesse que eras tu lá” disse o guardador de porcos, “eu não teria te ferido, no entanto, tu me machucaste muito.” “Por Cristo, homem!” disse ele, “eu não te machuquei como tu pensas, nem machuquei ninguém mais na cordilheira do mundo desde que Deus me mandou para a loucura; e pequeno deveria ser o dano para ti por eu estar aqui na cerca bebendo um pouco do leite da mulher, pelo amor de Deus. E eu não me meteria com tua esposa nem com qualquer outra mulher pela terra e seus frutos.” “A maldição de Cristo em ti, ó guardador de porcos!” disse Moling. “Terrível é o ato que fizeste, que teu período de vida aqui seja curto e que o inferno lhe aguarde, pelo ato que fizeste.” “Não há nenhum bem para mim por isso,” disse Suibhne, “pois seu embuste me alcançou e eu morrerei pela ferida que tu me fizeste.” “Tu obterás um eric15 por isso,” disse Moling, “tu estarás no Céu enquanto eu estiver lá.” E os três proferiram estas baladas entre eles, Suibhne, Mongan e Moling:

1. Suibhne: O ato que fizeste não foi agradável,
Ó guardador de porcos de Moling Luachair,
Eu não posso passar pela cerca
Pela ferida que tua mão negra me infligiste.

2. Mongan: Fala comigo se tu me escutas,
Quem és tu de verdade, homem?

Suibhne: Suibhne Geilt sem reprovação eu sou,
Ó guardador de porcos de Moling Luachair.

3. Mongan: Se eu apenas soubesse, ó magro Suibhne,
Ó homem, se eu pudesse ter te reconhecido,
Eu não colocaria uma lança contra tua pele
Apesar de eu ter te visto me ofendendo.

4. Suibhne: No leste ou no oeste, eu não fiz
Mal à ninguém na cordilheira do mundo
Desde que Cristo me tirou da minha valorosa terra
Para a loucura por Erin.

5. Mongan: A filha do meu pai e da minha mãe
Relatou – isto não foi uma bagatela para mim –
Como ela te encontrou naquela cerca
Com minha própria esposa, de manhã.

6. Suibhne: Não é correto para ti acreditar nisso
Até que tu tenhas a certeza,
Que pena que tu vieste para cá me matar
Até teus olhos terem visto!

7. Embora eu esteja de cerca em cerca,
Seu dano foi uma bagatela para ti,
Apesar de uma mulher me dar para beber
Um pequeno leite como esmolas.

8. Mongan: Se eu apenas soubesse o que aconteceria,
Depois que eu te ferisse, através do peito e coração,
Até o Juízo Final minha mão não te machucaria,
Ó Suibhne de Glen Bolcain.

9. Suibhne: Apesar de tu me feriste na cerca,
Eu não te fiz mal;
Eu não me meteria com tua própria esposa
Pela terra e seus frutos.

10. Ai daquele que saiu de casa por um tempo
E veio até ti, Ó Moling Luachair,
A ferida que teu guardador de porcos me infligiste
Me impediu de vadiar pelos bosques.

11. Moling: A maldição de Cristo que criou todos
Em ti, disse Moling para seu guardador de porcos,
Triste é a façanha que tu fizeste
Pelo ciúme em teu coração.

12. Uma vez que tu fizeste um ato terrível,
Disse Moling para seu guardador de porcos,
Tu terás em troca disto
Um curto período de vida e o inferno.

13. Suibhne: Embora tu possas vingar isto, ó Moling,
Não estarei mais aqui;
Isto não é um alívio para mim,
Sua traição me alcançou.

14. Moling: Tu terás um eric por isto,
Disse Moling Luachair, eu reconheço,
Tu estarás no Céu enquanto eu estiver
Pelo desejo do grande Senhor, ó Suibhne.

15. Mongan: Isto estará bem contigo, ó esbelto Suibhne,
Tu estarás no céu, disse o guardador de porcos,
Não será assim comigo aqui,
Sem o Céu, sem o período de minha vida.

16. Suibhne: Houve uma época em que eu considerava mais melodioso
Que a quieta conversa das pessoas,
O arrulho da rola
Voando por um charco.

17. Houve uma época em que eu considerava mais melodioso
Que o som de um pequeno sino ao meu lado
O canto do melro para a montanha
E o bramir do veado em uma tempestade.

18. Houve uma época em que eu considerava mais melodioso
Que a voz de uma bela mulher ao meu lado,
Escutar na aurora
O  grito de uma galinha-brava da montanha.

19. Houve uma época em que eu considerava mais melodioso
O uivo dos lobos
Do que a voz de um clérigo
Balindo aqui dentro.

20. Embora tu consideres boas nas tavernas
As tuas festas de cerveja com honra,
Eu bebia um gole de água no alcance
Da palma de minha mão em um poço.

21. Embora lá em tua igreja tu consideres mais melodiosa
A suave conversa de teus alunos,
Mais melodioso para mim é o canto esplêndido
Dos cães de caça de Glen Bolcain.

22. Embora tu consideres melhor a refeição salgada e a carne
Que tu comes nas casas de banquete,
Eu comia um tufo de agrião fresco
Em algum lugar, sem tristeza.

23. A afiada lança do guardador de porcos me feriu,
De forma que atravessou limpa pelo meu corpo;
Que pena, ó Cristo, que lança cada julgamento,
Que eu não tenha morrido em Magh Rath!

24. Apesar de serem boas as camas, sem astúcia,
Que fiz por toda Erin,
Eu tinha uma cama acima do lago
Em Benn Boirche, sem segredo.

25. Apesar de serem boas as camas, sem astúcia,
Que fiz por toda Erin,
Eu tinha uma cama acima do bosque
Que fiz em Glen Bolcain.

26. À Ti, ó Cristo, eu agradeço
Por partilhar de Teu Corpo;
Sincero arrependimento nesse mundo
Para cada mal que eu fiz.

                A síncope da morte veio então para Suibhne, e Moling, ajudado pelos seus clérigos, o levantou e cada homem colocou uma pedra no túmulo de Suibhne. “Querido, de fato, é aquele que está nesse túmulo,” disse Moling, “frequentemente estivemos– uma época feliz! – conversando um com o outro ao longo desse caminho. Encantador para mim era olhar Suibhne – ele que está nesse túmulo – naquele poço. O Poço do Louco ganhou o nome dele, pois frequentemente ele comia de seu agrião e bebia sua água, e assim, o poço foi nomeado por sua causa. Queridos, também, eram os outros lugares que Suibhne costumava frequentar.” Depois disso, Moling disse:

1. O túmulo de Suibhne aqui!
A saudade dele apertou meu coração!
Querido para mim também, por amor a ele,
É cada lugar no qual o santo louco costumava ficar.

2. Querida para mim é a nobre Glen Bolcain
Pelo amor do perfeito Suibhne por ela;
Querido é cada córrego que corre por ela,
Queridos são seus agriões de crista verde.

3. Lá está o Poço do Louco,
Querido era aquele a quem o poço lhe deu comida,
Querida para mim é sua areia clara,
Querida é sua água pura.

4. Em mim foi imposto seu preparo,
Pareceu longo até que eu o visse,
Ele pediu para que fosse levado até minha casa,
Querido foi o seu tempo aguardando.

5. Querido é cada córrego frio
Onde o agrião de crista verde cresce,
Cada poço de água brilhante também,
Pois Suibhne os visitavam.

6. Se for a vontade do Rei das estrelas,
Levante-se e venha comigo,
Dá-me, ó coração, tua mão
Do túmulo e da tumba!

7. Melodiosa para mim era a conversa de Suibhne,
Por muito tempo eu manterei sua memória em meu peito:
Eu suplico ao meu nobre Rei do Céu
Sobre seu túmulo e sua tumba!

                Depois disso, Suibhne levantou-se de seu desmaio e Moling o pegou pela mão, indo até a porta da igreja. Quando Suibhne colocou seus ombros contra o batente, ele deu um alto suspiro e seu espírito voou para o Céu, sendo honradamente enterrado por Moling.

                Até aqui então, estão os contos e aventuras de Suibhne, o filho de Colman Cuar, rei de Dal Araidhe.

Fim.
  
Notas de rodapé da tradução do inglês para o português

1. Trave horizontal. O termo em inglês é ridge-pole, consistindo de uma viga que fica na parte mais alta do telhado de uma casa.

2. Becabungas. Uma erva suculenta nativa da Europa, cujo nome científico é Veronica beccabunga, e que cresce nas margens de ribeiros e valas.

3. Azedas. É uma erva perene nativa da Europa, cujo nome científico é Rumex acetosa, e que pode ser encontrada em campinas ou cultivadas em jardins domésticos.

4. Oxalises. É uma planta florida nativa da Europa, cujo nome científico é Oxalis acetosella, e similar ao trevo, com três folhas verdes tripartidas.

5. Erenach. Segundo o site “Oxford Reference”, o termo significa “chefe de um assentamento eclesiástico”.

6. Flor de cuco. É uma planta florida nativa da Europa, cujo nome científico é Cardamine pratensis.

7. Maçando o linho. Partir e moer a casca do linho através de batidas ou pancadas.

8. Maçado. Usado como uma metáfora para o povo do exército que foram espancados, tal como se parte a casca do linho através de pancadas.

9. Cabana. O termo em inglês é shieling, que significa uma cabana rústica para se morar enquanto se pastoreia o gado durante o verão.

10. Punho ao redor da fumaça. Não consegui encontrar o sentido dessa expressão.

11. Seio das colinas. Pode ser uma referência aos seios de uma mulher.

12. Cantreds. Era a denominação que se dava para a subdivisão de um concado, usada na Irlanda anglo-normanda nos séculos XIII-XV.

13. Abrunheiro. Abrunheiro e espinheiro-negro são a mesma espécie vegetal, de nome científico Prunus spinosa. Coloquei nomes diferentes já que o texto coloca dessa forma, sloe tree e blackthorn tree, respectivamente.

15. Minen. Não encontrei a tradução para este termo, que aparentemente é uma planta.

16. Eric. Um termo em irlandês antigo (Goídelc) que consistia em uma multa a ser paga em compensação pela morte de alguém.

Fonte: CELT – Corpus of Eletronic Texts. “Buile Suibhne”, traduzido por J. G. O’Keefe. Disponível em: <http://www.ucc.ie/celt/published/T302018/index.html>. Acesso em: 16 de fevereiro de 2017.

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